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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 31 de março de 2008

Dei Verbum

Dei Verbum: Há, aproximadamente, quarenta anos, no dia 18 de novembro de 1965, o Papa Paulo VI, dentro do Concílio Vaticano II, promulgava a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a revelação Divina. A Dei Verbum (Palavra de Deus) quer "expor a genuína doutrina acerca da Revelação Divina e de sua transmissão" (DV 1), a fim de que o "tesouro da Revelação" (DV 26) manifeste "o conteúdo profundo seja a respeito de Deus seja da salvação do homem" (DV 2). Nela, a Revelação Divina é apresentada como um processo contínuo de diálogo entre Deus e os seres humanos, que vai desde as origens da aventura humana na terra, até a consumação da História, no fim dos tempos. Mediante esse processo de comunicação de Deus, manifesto de maneira singular na Sagrada Escritura, a história humana torna-se lugar de encontro e de experiência da salvação oferecida sempre e continuamente, por Deus, a todo gênero humano, em Cristo.

Constituição dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina

PROÉMIO

CAPÍTULO I
A REVELAÇÃO EM SI MESMA

CAPÍTULO II
A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

CAPÍTULO III
A INSPIRAÇÃO DIVINA DA SAGRADA ESCRITURA E A SUA INTERPRETAÇÃO

CAPÍTULO IV
O ANTIGO TESTAMENTO

CAPÍTULO V
O NOVO TESTAMENTO

CAPÍTULO VI
A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA

Notas

I Simpósio Internacional de Teologia (PUC-Rio)

Especialistas analisarão atualidade da Bíblia

NAVARRA, segunda-feira, 31 de março de 2008 (ZENIT.org).- Doze especialistas internacionais analisarão a atualidade da Bíblia no XXIX Simpósio Internacional de Teologia que será celebrado na Universidade de Navarra entre os dias 2 e 4 de abril.

Os especialistas convocados refletirão desde diferentes óticas, como a sociologia, as ciências da linguagem, a teologia e a história, com o fim de mostrar as chaves de racionalidade dos Textos Sagrados, informa à Zenit João Suárez-Lledó, da Universidade de Navarra.

Vicente Balaguer, professor e presidente da XXIX edição do simpósio, considera que «os temas que a Bíblia propõe são muito atuais, e por isso, interessa indagar acerca de onde reside o segredo de sua eficácia. A Bíblia é o livro que melhor responde às questões que mais nos interessam: De onde viemos? O que é a vida? Onde se encontra e como conseguir a felicidade plena?».

«A Bíblia não é um livro a mais; é o best-seller absoluto na história da humanidade. De nenhum outro se fizeram mais edições, traduções, nem venderam tantos exemplares», agregou.

«A palavra de Deus recebida e proclamada na Igreja» é o tema a ser discutido por especialistas como Antonio Pitta, da Universidade Pontifícia Lateranense, Roma; Olivier-Thomas Venard, Escola Bíblica e Arqueológica Francesa, Jerusalém; e o arcebispo de Pamplona e bispo de Tudela, Dom Francisco Pérez, durante este simpósio da Faculdade de Teologia.

No ato de abertura, intervirá o reitor da Universidade, Angel J. Gómez-Montoro; o decano da Faculdade de Teologia, José Ramón Villar; e Vicente Balaguer.

O tema, segundo afirma este professor, foi escolhido porque «os temas sobre Jesus Cristo ou sobre a Bíblia sempre são atuais». Para Balaguer, o simpósio se ocupará de estudar «como e por que alguns textos literários, os da Bíblia, são reconhecidos na Igreja como testemunho da Palavra de Deus, e sobre o modo em que esses textos configuram a vida de tantos cristãos».

Mais informação: http://www.unav.es/iscr/programas/JTD-08info.html

Contos de Tsadikim - Shemot

Contos de Tsadikim – Shemot
Autor: G. Ma Tov
Páginas: 266

Sinopse: O Talmud ensina que um aluno pode aprender mais das ações de seu mestre do que de suas palavras, pois existem preciosas lições a serem aprendidas dos atos praticados por pessoas boas, os quais fazem as pessoas ao seu redor absorverem os ensinamentos da Torá desses "anjos que caminham entre os mortais", como bem ilustra o sábio Chazon Ish.

Este livro é, na verdade, uma arca do tesouro repleta das mais belas histórias do Talmud, do Midrash e de grandes homens através dos séculos. Elas estão repletas da sabedoria da Torá, esse elixir de inspiração que preeenche e dá sentido à vida do povo judeu.

Esta coletânea está dividida de acordo com as leituras semanais da Torá, para que cada Shabat seja enriquecido com histórias fascinantes relacionadas à parashá correspondente. Mas não pense o leitor que poderá ler somente as histórias daquela semana e abandonar o livro até a próxima... Esse é um livro que - felizmente - será folheado diversas vezes!

Com linguagem e apresentação adaptadas aos dias de hoje, Contos de Tsadikim já é considerado um best-seller em diversas partes do mundo. Do começo ao fim, enriquece o conhecimento e faz brilhar mais forte a chama da Torá em nossos corações. Que possamos aprender de nossos Tsadikim lições que carregaremos para o resto de nossas vidas, iluminando e indicando o caminho certo a seguir.

domingo, 30 de março de 2008

Torá - A Lei de Moisés

Torá - A Lei de Moisés

Autor: Meir Matzliah Melamed
Páginas: 1408

Sinopse: Esta preciosa obra apresenta o texto hebraico da Torá ao lado de sua tradução para o português. Mantendo intactas as interpretações dos comentaristas clássicos, e inspirada no Talmud e no Midrash, foi editada segundo as porções semanais de leitura e por capítulos e versículos, complementada por interessantes comentários e ilustrações. Apresenta ainda todas as Haftarot e as 5 Meguilot.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Uma introdução à Bíblia - Volume VI (Período grego e vida de Jesus)

Uma introdução à Bíblia - Volume VI (Período grego e vida de Jesus)

Catálogo: Bíblico
Ano:
2005
Autor(a):
Ildo Bohn Gass
Editora:
PAULUS
Edição:
2

Sinopse: Na primeira parte deste volume, estudaremos a época de dominação dos gregos (332-142 a.C.) e o período de independência desde 142 até 63 a.C., ano em que os romanos passaram a dominar sobre a Palestina. Num primeiro momento, depois de algumas informações sobre a conquista do Império Persa pelo macedônio Alexandre Magno, veremos o domínio dos gregos sobre a Palestina a partir do Egito (301-198 a.C.). Eles são conhecidos por Ptolomeus. É a ocasião para olharmos mais de perto os livros bíblicos dessa época, isto é, Ester, Eclesiastes, Zacarias 9-14 e Tobias. Em seguida, abordaremos o domínio dos gregos sobre a Palestina a partir da Síria, conhecidos por Selêucidas (198-142 a.C.). Veremos a imposição à força da cultura grega sobre os judeus, bem como a resistência dos macabeus contra essa imposição. Analisaremos ainda as divisões dos judeus em diferentes grupos no processo revolucionário, como os fariseus e os essênios. Desse período, são os seguintes livros: Eclesiástico, Daniel, Judite e 2 Macabeus. Por fim, estudaremos a época de independência dos judeus desde 142 a 63 a.C., período conhecido como dinastia dos hasmoneus. Surgem os últimos livros do Primeiro Testamento: Livro de Ester - o texto grego, 1 Macabeus, Baruc e Sabedoria. De saída, lembramos que sete dos onze livros que estudaremos nesta parte não se encontram nas traduções usadas pelas igrejas evangélicas. São eles: Tobias, Eclesiástico, Judite, 1-2 Macabeus, Baruc e Sabedoria. São livros deuterocanônicos para os católicos romanos e apócrifos para os prostestantes. Além disso, os livros de Ester e Daniel têm partes que só constam nas traduções católicas, como ainda veremos.

Contos de Tsadikim - Bereshit


Sinopse: O Talmud ensina que um aluno pode aprender mais das ações de seu mestre do que de suas palavras, pois existem preciosas lições a serem aprendidas dos atos praticados por pessoas boas, os quais fazem as pessoas ao seu redor absorverem os ensinamentos da Torá desses "anjos que caminham entre os mortais", como bem ilustra o sábio Chazon Ish.

Este livro é, na verdade, uma arca do tesouro repleta das mais belas histórias do Talmud, do Midrash e de grandes homens através dos séculos. Elas estão repletas da sabedoria da Torá, esse elixir de inspiração que preeenche e dá sentido à vida do povo judeu.

Esta coletânea está dividida de acordo com as leituras semanais da Torá, para que cada Shabat seja enriquecido com histórias fascinantes relacionadas à parashá correspondente. Mas não pense o leitor que poderá ler somente as histórias daquela semana e abandonar o livro até a próxima... Esse é um livro que - felizmente - será folheado diversas vezes!

Com linguagem e apresentação adaptadas aos dias de hoje, Contos de Tsadikim já é considerado um best-seller em diversas partes do mundo. Do começo ao fim, enriquece o conhecimento e faz brilhar mais forte a chama da Torá em nossos corações. Que possamos aprender de nossos Tsadikim lições que carregaremos para o resto de nossas vidas, iluminando e indicando o caminho certo a seguir.

Mizmor Ledavid: Cantando os Salmos em Hebraico

13 lindas canções dos Salmos interpretadas pelo CORAL DOS MENINOS DE JERUSALÉM, sob regência de HANAN AVITAL, de Israel.

Acompanha encarte com todas as letras em caracteres hebraicos, português e pronúncia fonética, para você cantar junto e se deliciar.

1. mizmor ledavid (salmo 23)
2. ievarechecha / hine lo ianum (salmos 128/121)
3. shir lamaalot (salmo 121)
4. gam gam gam (salmo 23)
5. mi haish (34)
6. habet (80)
7. essa enai (121)
8. yimale fi (71)
9. lemaan achai vereai (122)
10. ner leragli (salmo 119)
11. tsadic catamar (salmo 92)
12. shabechi Ierushalayim (salmo 147)

Veja também as opções em que o livro dos Salmos acompanha o CD:
Pacote Salmos Grande
Pacote Salmos Pequeno

quarta-feira, 26 de março de 2008

Liturgia Judaica - Fontes, estrutura, orações e festas

Ano: 2005
Autor(a): Carmine Di Sante
Coleção: biblioteca de estudos bíblicos
Número de páginas: 272
Editora: PAULUS

Sinopse: O Novo Testamento apresenta muitos testemunhos da liturgia judaica. São, porém, testemunhos mais indicativos que descritivos. Neles é dito que no tempo de Jesus havia certas formas de culto, mas não em que elas consistiam nem como se desenrolavam. O próprio Jesus, sua mãe Maria, os apóstolos e as comunidades primitivas alimentaram-se dessa liturgia, dos seus símbolos e ritos. Este livro reconstrói o significado e o dinamismo da oração israelita, reencontrando as origens da liturgia cristã na liturgia israelita.

terça-feira, 25 de março de 2008

Ensaios sobre a Torá - Bereshit


Ensaios sobre a Torá – Bereshit
Autor: Ruben Rosenberg
Páginas: 329

Coletânea de ensaios sobre as porções semanais da Torá - o volume 1 é sobre o Gênesis -, apresentando uma visão inovadora e bastante didática sobre os temas tratados. Capa dura.

"O livro Bereshit é também chamado por nossos Sábios de "Livro dos Corretos", pois conta a história de nossos patriarcas, que eram corretos em suas atitudes, procurando fazer o bem a todas as criaturas e agir com honestidade e retidão. Contudo, as palavras da Torá incluem muito mais do que as próprias histórias, englobando lições de moral, segredos Divinos da Criação e da humanidade.

Este trabalho nos ajuda a desvendar parte destas lições e segredos, numa linguagem clara, trazendo ao público brasileiro sínteses de grandes livros que extraíram do texto da Torá esses grandes ensinamentos.

O autor destaca-se pelo seu bom senso, cultura, carisma e clareza na divulgação de valores éticos e judaicos, além da originalidade na forma de transmiti-los. Sem dúvida, será de grande utilidade a educadores, alunos e todos aqueles que procuram o verdadeiro significado do judaísmo." Rabino Raphael Shammah

segunda-feira, 24 de março de 2008

Jesus, Um Judeu da Galiléia - Nova leitura da história de Jesus

Jesus, Um Judeu da Galiléia - Nova leitura da história de Jesus
Catálogo: Teologia
Assunto: Cristologia
Ano: 2008
Autor(a): Sean Freyne
Coleção: Bíblia e sociologia
Número de páginas: 190
Editora: PAULUS
Edição: 1

Sinopse: Em Jesus, um judeu da Galiléia, Sean Freyne explica muitos dos dados e do comportamento de Jesus em relação ao seu contexto na Galiléia. O leitor é convidado a uma viagem através da Palestina na perspectiva de Jesus, olhando aquele mundo com os olhos de um judeu plenamente educado nas suas tradições. Este trabalho é enriquecido pelo detalhado e amplo conhecimento que o autor tem das fontes literárias e arqueológicas.

domingo, 23 de março de 2008

Bíblia Hebraica (David Gorodovits e Jairo Fridlin)

Bíblia Hebraica
Autores:
David Gorodovits e Jairo Fridlin

Os livros que compõem a BÍBLIA HEBRAICA são:

Torá
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio

Profetas
Josué, Juízes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Os Doze (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Mihá [Miquéias], Nahum, Habacuc, Tsefaniá [Sofonias], Hagai [Ageu], Zacarias e Malaquias)

Escritos
Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Ezra- Neemias e Crônicas

Inédito, um Tanach em português!
por Bernardo Lerer

Jairo Fridlin, da Editora Sêfer, já pode respirar aliviado: dois anos depois de iniciada, está pronta a primeira edição completa do Tanach, isto é, a Bíblia judaica, em português. Ele realiza "um sonho antigo, pois os judeus falam português há pelo menos mil anos e a única versão do Tanach numa língua próxima da nossa é de 1553, editada em Ferrara, na Itália, mas em ladino. Os judeus não tinham autorização para traduzi-la para o português", conta Jairo, que editou dezenas de livros de oração, de reflexão, para crianças, leis sobre cashrut, etc.

A versão em português do Tanach terá 880 páginas, capa dura de luxo e uma lombada de apenas dois centímetros e meio, porque empregou-se o chamado papel bíblia, cuja folha pesa apenas 44 gramas. O livro é uma obra coletiva. Ele o traduziu junto com David Gorodovits, do Rio, e teve a revisão técnico-religiosa dos rabinos Marcelo Borer, Daniel Touitou e Saul Paves, e dos professores Norma e Ruben Rosenberg, Daniel Presman e Marcel Berditchevsky.

O livro vai se destinar aos alunos das escolas judaicas e ao público em geral. A seguir, entrevista com Jairo Fridlin:

Quais as novidades desta edição?
A maior, sem dúvida, é seu "jeito" judaico, baseado e influenciado pela visão do sábios do Talmud e nas demais fontes judaicas dos últimos 2.000 anos. O uso dos nomes hebraicos - tanto dos personagens como dos lugares - torna o conjunto da obra mais interessante, porque usamos o "ben" para indicar a filiação (ex.: Avner, filho de Ner, virou Avner ben Ner). Quanto aos lugares, é possível entender onde que se passa pois esses pontos são visíveis no mapa hoje. Na grafia, usamos o H sublinhado para representar as letras Chet e Chaf, ao invés do tradicional CH. Acredito que o resultado seja bom. O público vai decidir. Embora seja apresentada convencionalmente, em capítulos e versículos - cuja origem não é judaica, mas teve que ser "oficializada" devidos aos recorrentes debates inter-religiosos da Idade Média -, tentamos demonstrar como é a divisão judaica para evita desmembramentos e descontextualizações de alguns textos. Apresentamos também aquelas "aberturas" que aparecem no textos hebraicos. Ficamos devendo a inclusão de todo o texto em hebraico. Isso fica para a próxima.
Agora, em relação às outras traduções em português, o que mais a distingue é que nenhuma delas foi feita diretamente do hebraico, idioma original da Bíblia. O que ninguém discute e é um fato.

Quais as grandes dificuldades encontradas para a tradução?
Ao não inserir notas de rodapé, tivemos de decidir entre as diferentes opções de tradução de algumas palavras, bem como optar por um dos tantos e ricos caminhos exegéticos. Às vezes, seguimos a opinião de Rashi, outras a de Nachmânides, outras de um terceiro, e assim sucessivamente. Mas sempre apoiados em alguma opinião rabínica, e de preferência, a que melhor se articulava com o texto em si, a que damos o nome de "peshuto shel hamicrá".

Que cuidados tiveram com a tradução?
Em primeiro lugar, a clareza - para os jovens estudantes entenderem o que o texto diz. Nesse ponto, sacrificamos várias palavras - por si só corretas e precisas - por outras mais conhecidas e compreensíveis. Educadores constituíam o grupo de trabalho para dar uma forte conotação educativa à obra.
Segundo, tentamos inserir no texto algo aparentemente abstrato mas cuja ausência é possível sentir em outras traduções: o olhar judaico, o gosto judaico, o som judaico; o estilo judaico, enfim.
Além disso, tentamos extrair do texto certas influências externas que se incorporaram a ele, às vezes intencionalmente, o que o distanciava do original. Um exemplo é traduzir Shabat por "dia de descanso", que amanhã poderia vir a ser o domingo... ou traduzir a palavra Toráh apenas como Lei, quando sabemos que ela é muito, muito mais que isso. Raramente, e entre parênteses, inserimos palavras que complementam o texto, ou que o comentam, ou que identificam determinados personagens a que o texto faz referência. Isso poderá evitar que certas passagens sejam relacionadas a quem não de direito. Nos Profetas maiores e particularmente em alguns dos Escritos, não nos prendemos mais do que o necessário à letra do texto mas tentamos captar e transmitir sua mensagem de forma bem clara, como anteriormente na edição do livro dos Salmos. Nossa intenção é que o leitor se emocione com o texto, vibre e se envolva com a leitura. Neste caso, a tradução literal e "burocrática" seria um erro.

De que fontes se valeram para a tradução?
Primeiro, baseamo-nos na versão em hebraico do Tanach conhecida como "Kéter Aram Tsová" (ou Alepo), reconhecida como a mais fiel e autêntica, e que remonta à época de Maimônides.
Consultamos traduções para o inglês, espanhol, francês - e mesmo português - como fontes de comparação e apoio, mas no apoiamos principalmente nos comentaristas clássicos do Tanach , conforme relacionado no livro, mencionando até a época em que viveram.

Por que uma tradução para o português?
Porque havia essa carência e, em algum momento, alguém teria de fazê-la. O Tanach é a base de todo o "edifício" do judaísmo. Todos os demais livros se relacionam a ele. E é triste e doloroso constatar que poucos de nós tivemos a oportunidade de conhecê-lo. Eu mesmo, no início de meus estudos, sofri para entender muitas passagens. Talvez agora, disponível uma tradução judaica para o português, mais pessoas se interessem em conhecer e estudá-lo com a profundidade que ele merece!

Qual o significado desta obra?
Para mim, é a maior de todas e tantas contribuições judaicas para a Humanidade. Ela é a ponte que poderá tornar o mundo uma grande família de povos e, à luz de seus ensinamentos, aprenderá, um dia, a se respeitar e a viver de forma harmônica e em paz, como nos ensina aquela famosa profecia do lobo e do cordeiro, de Isaías. Ela é o livro mais importante da cultura judaica e o que mais profundamente influenciou a civilização ocidental. Graças a ela, nos deram, aos judeus, o título honorífico e o devido respeito por sermos "o povo do livro". Pois devemos assumir esta condição, também em português.

O texto foi traduzido na ordem direta, ou tal como se lê no original?
Onde possível, tentamos colocar na ordem direta. Ao invés de "E falou o Eterno a Moisés", adotamos o "E o Eterno falou a Moisés". Mas em trechos dos Profetas e dos Escritos, o estilo do texto exigia que mantivéssemos a forma indireta.

Quem já se mostrou interessado nela?
Primeiramente, as escolas judaicas; creio que logo as famílias judaicas também se interessarão por uma obra tão importante e fundamental para a identidade judaica. O público não-judaico também está ansioso por conhecer a forma como nós, judeus, lemos e entendemos a Bíblia.

Existe a possibilidade de ela vir a ser distribuída nos países de fala portuguesa?
Existe, e vamos tentar fazer isso o mais breve possível.

A edição inclui a exegese do texto bíblico?
Apenas parcialmente, pois não existe tradução sem exegese. Em outras palavras, a própria tradução é, em certa medida, uma exegese.

Regras de conduta do sábio (Eliahu Toker)

Obra de sábios, o Pirkê Avot dá especial atenção à sabedoria. Por isso afirma: "Aquele que aprende de seu semelhante apenas um capítulo da Torá, uma halachá, um versículo, um dito, até mesmo uma só letras, deve tratá-lo com respeito particular. Pois assim aprendemos que Davi, rei de Israel que, embora não tenha aprendido de Ahitofel mais do que duas regras de conduta, o chamava de "meu grande e reverenciado mestre".

Segundo o livro, a sabedoria tem proeminência sobre o sacerdócio e a realeza, pois a realeza exige 30 condições, o sacerdócio, 24, enquanto a sabedoria exige 48.

Entre as regras de conduta estão normas que dizem respeito ao estudo dos textos. É preciso estudar com alegria, escutar, compreender e chegar ao fundo das coisas e ainda aguçar a mente, formulando perguntas que promovam a busca de respostas adequadas.

Também as atividades cotidianas fazem parte das regras: dormir pouco, cortar as conversas banais, moderar a dedicação aos negócios e evitar a frivolidade.

O estudo religioso e o respeito aos mestres são partes importantes desse conjunto, como também a humildade, a sensatez, a bondade e o amor ao próximo e a Deus.

Algumas delas, válidas para o ambiente acadêmico até hoje, são: não permitir que os padecimentos o afastem do estudo, expor com precisão, escutar atentamente e aportar idéias próprias, aprender para ensinar, intervir de maneira inteligente, acrescentando assim ao saber de seu mestre e expor idéias mencionando seu autor, pois "todo aquele que expõe idéias e menciona seu autor contribui para a redenção da humanidade" (6:3-6).

Extraído de:
Revista História Viva - Grandes Religiões - número 2 - Judaísmo. São Paulo, Duetto, /março de 2007/, p.27.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A Páscoa e o Purim

TV Globo – Jornal Hoje – 21/03/2008.
Alberto Gaspar

A Páscoa e o Purim

Em Jerusalém, terra santa para várias religiões, o feriado cristão da Páscoa coincidiu com uma festa muito animada para os judeus.

Peregrinos cristãos de todo o mundo percorreram nesta sexta-feira as ruas históricas de Jerusalém para lembrar o sofrimento de Cristo. A procissão da Via Dolorosa coincide com uma das festas mais animadas do calendário judaico.

Veja na reportagem especial do correspondente Alberto Gaspar.

Nas estreitas, lotadas e superpoliciadas ruas da Cidade Velha, religiosos abrem passagem para o patriarca latino de Jerusalém, o palestino Michel Sabbah. Ele se junta aos muitos fiéis do mundo inteiro que percorrem a Via Dolorosa, o caminho seguido por Jesus rumo à crucificação.

Os frades franciscanos lideram a principal procissão, no fim da manhã – entre eles, um brasileiro do Rio Grande do Sul. “É uma sensação muito forte, muito bonita para nós também", diz o frade Wahner Zimmer.

Os cristãos representam só 2% da população da Terra Santa, e só católicos e protestantes – minoria entre eles – celebrarão a Páscoa neste domingo. Os cristãos ortodoxos usam outro calendário.

A Páscoa judaica, que tem um significado completamente diferente, só será comemorada daqui a um mês. O que acontece nesses dias é uma outra celebração, das mais alegres; as pessoas saem às ruas fantasiadas, parece um Carnaval. É o Purim.

Nesta festa judaica, fantasias servem para celebrar uma vitória obtida há 2.500 anos, quando os judeus foram salvos de um massacre, sob domínio do Império Persa. “É uma alegria total. Tem festas em todos os lugares e muita bebida. É um dia de ficar alegre”, explica a agente de viagens Adriana Bonder.

A comida também faz parte do Purim. O mercado fica cheio, e um tipo de bolacha recheada faz muito sucesso. A tradição é trocar presentes desse tipo com os amigos e também dar dinheiro aos pobres, nos explica uma senhora.

Nesta terra de tantos contrastes, os calendários foram particularmente caprichosos este ano.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Festividade de Purim e o Livro de Ester

Elaborado por Noob Cruz (aluno) – Setor de Hebraico – FL/UFRJ/2005.
Disciplina ministrada pela Profa. Dra. Cláudia A.P.Ferreira.

Veja sobre o tema em:
Chaguim laktanim
A Festividade de Purim e o Livro de Ester
Shushan Purim Pequeno
Mini-Guia de Purim (5768)
Festividade de Purim - Dica de links
Shabat Zachor

Filosofia grega e sabedoria hebraica


Filosofia grega e sabedoria hebraica. Coleção “O caminho de Deus com a Humanidade”. São Paulo: Paulus, 2007.

1ª parte
O fenômeno do helenismo; Alexandre Magno; A história segundo os Livros dos Macabeus; O Livro de Daniel.
2ª parte
A versão grega da Bíblia dos Setenta; Os Livros Sapienciais; A sabedoria nos textos extrabíblicos; Jó; Os Provérbios; O mais belo Cântico; Ester como Ishtar.

Sinopse:
O caminho de Deus com a humanidade é a mais recente e profunda pesquisa das páginas mais difíceis e menos conhecidas do Antigo Testamento. Seu objetivo é aproximar as pessoas da plavra de deus, para fazê-las descobrir seu fascínio eterno e misterioso. As imagens foram feitas nos lugares mais importantes e nos mais antigos e sugestivos sítios arqueológicos do Antigo Oriente Próximo.

Aprender com a Bíblia - Inclui jogos, atividades e reflexões

Aprender com a Bíblia - Inclui jogos, atividades e reflexões

Autores:
Francesc Rovira
Mercè Segarra

Editora Paulinas – ano 2008

Sinopse: Com o objetivo de propor um roteiro de iniciação no conhecimento da Bíblia, os autores reuniram, num volume, uma série de pequenas apresentações das narrativas bíblicas desde a criação até a Ascensão de Jesus, acrescentando um comentário que as aproxima da vida das crianças e alguns jogos ou brincadeiras geralmente conhecidas, aplicadas à descoberta da relação entre a narrativa bíblica e as situações vividas na infância.

Não se deve esperar da obra uma análise propriamente dita dos 43 episódios ou pessoas a que se refere o texto bíblico - 25 do Antigo Testamento e 18 do Novo. Trata-se de simples indicação do conteúdo da Bíblia, sublinhando a mensagem central, de modo a ser captada pela criança. Algumas das atividades vêm com indicação da idade mínima a partir da qual o comentário e o jogo proposto podem ser entendidos.

Essa abordagem de iniciação tem a sua importância, pois ajuda a criança a integrar os referenciais bíblicos em sua vida, num mundo que deles se afasta cada vez mais pelo tipo de históricas que se contam à criança e pelo modo de contar, inclusive com objetivos publicitários. Daí a importância de obras como esta, que ajudam pais e mestres a criar a ambiência para uma autêntica transmissão da fé.

Falando da criação, do dilúvio, de Abrão, de Isaac e de Jacó, contando a história de José, da servidão no Egito e da libertação de Moisés, que recebe os dez mandamentos, da tomada da Terra prometida, de Samuel, de Saul e de Davi, de Daniel e de Jonas, a obra desempenha o papel das antigas catedrais, cujas esculturas e pinturas entretinham a fé das crianças e do povo mais simples. Além disso, as dezoito passagens do Novo Testamento constituem uma catequese sobre a pessoa de Jesus, do seu nascimento, sua vida e morte, até a sua ascensão ao Céu, adaptada à capacidade do entendimento infantil e lançando as bases para o posterior desenvolvimento de uma fé adulta.

Aprender com as parábolas - Inclui jogos, atividades e reflexões

Aprender com as parábolas - Inclui jogos, atividades e reflexões

Autores:
Berta Garcia
Francesca Pratillo
Jesús Ballaz
Mercè Segarra

Editora Paulinas – ano 2008

Sinopse: Com o objetivo de propor um roteiro de iniciação no conhecimento das parábolas evangélicas, os autores reuniram, num volume, o enunciado resumido de cada uma delas, acrescentando um comentário que as aproxima da vida das crianças e alguns jogos ou brincadeiras geralmente conhecidas, aplicadas à descoberta da relação entre a narrativa evangélica e as situações vividas na infância.

Não se deve esperar da obra uma análise propriamente dita das 27 parábolas, senão uma simples indicação de seu conteúdo, sublinhando a mensagem central, de modo a ser captada pela criança. Algumas delas vêm com indicação da idade mínima a partir da qual o comentário e o jogo proposto podem ser entendidos.

Essa abordagem de iniciação tem a sua importância, pois ajuda a criança a integrar os referenciais evangélicos em sua vida, num mundo que deles se afasta cada vez mais pelo tipo de históricas que se contam à criança, inclusive com objetivos publicitários. Daí a importância de obras como esta, que ajudam pais e mestres a criar a ambiência para uma autêntica transmissão da fé.

Falando do semeador, da ovelha perdida, do bom samaritano, do filho pródigo, do joio e do trigo, da semente que cresce, do amigo importuno e do grão de mostarda despertamos na criança a sabedoria cristã. Somente ela lhe assegurará mais tarde o caminho de como se comportar na vida para ser feliz e merecer a eternidade.

Série investiga a trajetória de Jesus

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

"A Vida Desconhecida de Jesus" é o nome do episódio do especial "7 Dias de Reflexão", que o Discovery Channel exibe hoje, às 22h. Até o dia 23, a série, que desde segunda-feira aborda temas sobre religião, revela alguns mistérios da existência de Jesus.

Em "A Vida Desconhecida de Jesus", o explorador e especialista em textos bíblicos Kent Dobson viaja pelo Himalaia, pela Europa e pela África com o objetivo de reconstituir passagens da vida do filho de José e Maria não citadas na Bíblia. Para isso, ele avalia, por exemplo, teorias sobre os evangelhos.

Já em "Os Primeiros Anos" (amanhã, às 22h), o programa examina importantes acontecimentos a respeito da vida e da morte de Jesus. Entre eles, a sua concepção e a história dos Reis Magos.

O episódio "A Missão" (dia 22, às 22h) foca o personagem Jesus. São examinadas sua mensagem aos judeus, o sermão na montanha, a história dos 12 discípulos e as últimas horas de sua vida etc. Por meio dessa análise, o documentário defende a idéia de que Jesus nunca teve a intenção de evitar sua execução.

No último episódio do especial "7 Dias de Reflexão" -intitulado "Os Últimos Dias" (dia 23, às 22h)-, a aparência física de Jesus é reconstituída. Além disso, são mostradas teorias sobre a Páscoa, a crucificação e a ressurreição. (AF)

7 DIAS DE REFLEXÃO
Onde:
Discovery Channel
Quando: de hoje a dom., às 22h

quarta-feira, 19 de março de 2008

Bíblia politicamente correta gera polêmica entre teólogos alemães

Um ano depois de sua publicação, a tradução politicamente correta da Bíblia permanece controversa na Alemanha. Alguns teólogos a consideram uma adulteração, mas mesmo entre os críticos há quem a considere útil.

A Bíblia "in gerechter Sprache", ou Bíblia numa linguagem mais justa, foi criada para ser uma tradução moderna, que daria mais visibilidade às mulheres, corrigiria formulações anti-semitas e chamaria a atenção para questões sociais. Mas o livro com 2.400 páginas, lançado na Feira do Livro de Frankfurt no ano passado, tem dividido tanto teólogos quanto leigos, alguns dos quais se sentem atacados em suas crenças.

"A Bíblia não oferece apenas paradigmas, mas fala ao coração da existência humana", declarou a pastora Margit Büttner. "Quando isso é subitamente posto em questão, quando de repente eu não oro mais 'Pai nosso que estás no céu', mas digo: Jesus instruiu seus discípulos homens e mulheres a orar 'Pai e Mãe nossos que estão no céu', isso pode intimidar as pessoas."

A nova tradução, fruto do trabalho de dez teólogos e 42 teólogas, menciona as mulheres sempre que os homens são citados, mesmo correndo o risco de distorcer o pano de fundo histórico da Bíblia e de distanciar-se dos originais hebraico e do grego. Assim, o livro refere-se a rabinos e rabinas, embora as primeiras rabinas tenham sido ordenadas só nos anos 1970.

Além disso, a "Bíblia em linguagem politicamente correta" muda termos como "homens" por "pessoas", "obedecer a Deus" por "escutar a Deus". E na carta de Paulo aos Romanos, por exemplo, a tradução substitui a palavra "irmão" pela expressão alemã geschwister, que inclui tanto irmãos quanto irmãs.

Na hora certa, dizem as feministas
Apesar de tecer críticas ao projeto, a teóloga católica Helen Schüngel-Straumann disse que uma nova abordagem já estava bem atrasada. "Como teóloga feminista, durante anos lutei para que acontecesse alguma mudança no que se refere à linguagem eqüitativa", disse ela, acrescentando que isso era uma de suas prioridades há décadas.

Ainda assim, ela não concorda com a nova tradução por falsificar a verdade histórica. Para a teóloga, essa nova versão distorce as relações sociais existentes numa sociedade patriarcal, as quais são importantes para compreender o contexto bíblico.

A teóloga suíça viu como positivo o afastamento da tradicional percepção de Deus como elemento masculino. Segundo ela, a nova tradução não poderia substituir as versões anteriores, incluindo a de Martinho Lutero, mas foi útil para provocar reflexão.

Apesar de suas reservas, a pastora Büttner também vê vantagens na iniciativa, que, para ela, tem atraído novamente a atenção para a Bíblia. Por outro lado, disse ter ouvido críticas da parte dos católicos. "Se realmente tornar-se aceito que havia apóstolas, a Igreja Católica não poderá ficar como está", disse a pastora protestante.

Hajo Goertz (ak)

Extraído de:
Der Spiegel, 14/11/2007.

domingo, 16 de março de 2008

"Jesus foi um grande homem de teatro", diz o escritor ateu Dario Fo

Rosana Torres
Em Milão
El País, em 15/03/2008.

Considerado um dos últimos trovadores, o Prêmio Nobel italiano demonstra aos 82 anos que não perdeu a capacidade de provocar, de fustigar os poderes políticos ou eclesiásticos e de criar através da palavra e da pintura.

Em seu site na Web (www.dariofo.it) há, antes de mais nada, um texto:"Figura destacada do teatro político que, na tradição dos trovadores medievais, fustigou o poder e restaurou a dignidade dos humildes". Dario Fo, nascido em 1926 em um pequeno povoado no norte da Itália, junto ao lago Maior, só quer ser visto assim. É preciso entrar em seu blog para saber outras coisas.

Prêmio Nobel em 1997, arquiteto, pintor prolífico, ativista político (nunca teve carteirinha), mobilizado na República de Salò, candidato à prefeitura de Milão por duas vezes, doutor pela Sorbonne, historiador da arte e, é claro, autor de teatro traduzido para vários idiomas e representado em todo o mundo. Suas obras foram em grande parte escritas junto com sua mulher desde 1951, a até agora senadora Franca Rame, atriz pertencente a uma saga de atores cujas origens remontam a 1600 e cujas atitudes políticas lhe custaram um seqüestro, com violação incluída, por parte de fascistas em 1973.

Os dois anciãos (ele com 82 anos, ela com 78) levam uma vida, em comum e em separado, marcada pela atividade frenética. A casa dos dois transmite isso. É um entra-e-sai de gente, tudo é alvoroço e trabalho, fotocópias, fax, palestras, gestões, telefonemas... Franca entra e sai do escritório de Fo, ao qual pergunta ou informa alguma coisa, e o mestre salta de um tema para outro com o virtuosismo de um comediante de variedades. Algumas frases servem para responder a Franca, outras para falar com as moças de sua equipe, e ao mesmo tempo responde à entrevista que, passado algum tempo, interrompe bruscamente para sair em velocidade de sua casa para ajudar um amigo. Franca o substitui e dá informações, incluindo a de que são bisavós.

No salão também há fotos, cartazes, quadros e os vícios do mestre. Suas peças especiais, sobretudo esculturas religiosas: uma Pietà, uma Virgem com o menino, um grande Cristo crucificado, um belíssimo São Sebastião (ele acredita que é igual ao de Mantegna), peças romanas...

Fo, que quase todos os anos visita a Espanha, atuará em abril em Córdoba, em agosto na Expo de Zaragoza com Juan Echanove e, possivelmente, na primavera em Madri (está negociando com Mario Gas).

Acaba de publicar na Itália "Gesù Amava le Donne" (editora Rizzoli) [Jesus amava as mulheres], continua editando estudos, a modo de aula-espetáculo sobre grandes pintores, e esta semana sai na Espanha "El mundo según Fo - Conversaciones con Giuseppina Manin" (editora Paidós), com tradução de sua biógrafa, Carla Matteini.

El País - A democracia formal atual em muitos países ocidentais, com sistemas de dois grandes partidos próximos entre si nas políticas reais, é um avanço para algo ou uma mera estabilização do poder?
Dario Fo - É a estabilização do poder e do sistema capitalista. O poder faz isso para não perder nunca. Na América há uma variante importante: os dois partidos têm regras que podem pôr em crise até o presidente. Aqui, por sua vez, tudo é ocultado, acaba se pactuando.

EP - O senhor continua pensando que as revoluções sempre começam bem e acabam mal?
Fo -
Basta olhar para a história. Penso no cristianismo, seus significados, seus objetivos... e olho para o papa. O que esse senhor tem a ver com o pensamento de Cristo? Se ele não faz nada! Nem ele nem seus cardeais; o clero é uma grande massa de poder, e Jesus só falou do poder do amor. Basta ver os bispos espanhóis pedindo o voto para a direita! Ainda por cima são politicamente reacionários. Exatamente o contrário de Cristo.

EP - Por que acredita que isso ocorra?
Fo - Foi devido a um fato que não se recorda. No século 3º, Constantino viu que o cristianismo adquiria importância. Como a religião pagã não resolvia os problemas, ofereceu ao cristianismo ser a religião do império e seus bispos ganharam o direito de não pagar impostos nem taxas de sucessão nem tributos, coisas que existiam na jurisdição romana. Tinham o poder do espírito e desde então o poder material, sem esquecer que ganharam propriedades em toda a Europa graças a um documento supostamente escrito por Constantino em seu leito de morte, que depois se demonstrou que era falso.

EP - O senhor está mais mergulhado que nunca na pintura, com seus livros de grandes gênios.
Fo - Meus pensamentos sempre passam pela pintura, quando encontro dificuldades pinto para resolvê-las, e todas as minhas pinturas são projetos para espetáculos...

EP - É um pintor emprestado ao teatro ou um "teatreiro" emprestado ao mundo das artes plásticas?
Fo - A verdade é que não sei. Desde pequeno comecei ao mesmo tempo a pintar e a contar histórias, porque também era um fabulista nato. A pintura me serve para analisar a realidade através do grotesco; se você contar uma história depois de estudá-la e analisá-la, transmite melhor o valor das coisas, sua importância ou sua falsidade.

EP - Como o senhor vê a situação política na Itália?

Fo - É totalmente desesperadora. Há uma classe política que não se preocupa com o problema que temos. Falo de agora, porque ficaram para trás os tempos em que tinham importância os movimentos operários, o Partido Comunista, o Socialista, os anarquistas, os liberais; foram tempos brilhantes no plano da expressão coletiva. Hoje todo o esforço se concentra em conseguir o poder, e não nas necessidades da população, a defesa dos direitos ou a reconquista daqueles momentos brilhantes de então. De vez em quando surge alguém que se irrita e tenta remover tudo, mas em geral só há uma grande desconfiança da classe política; inclusive à margem da direita, que é horrenda, basta ver tudo o que fizeram, como Berlusconi criou leis por sua conta, anulando regras existentes, usando a televisão para fazer sua propaganda, ao mesmo tempo que é um mentiroso, um hipócrita famoso, que apanharam 200 vezes soltando infâmias.

EP - E o papel da esquerda?

Fo - A esquerda na Itália não foi capaz de impor as leis civis ou anular algumas tão infames quanto a de que se pode mentir e lançar falsos testemunhos alegremente, já que ninguém o acusará. Sem falar nas leis sobre a propriedade, com os contribuintes que não pagam impostos porque podem chegar a acordos com o Estado para pagar o que lhes convém... Está ocorrendo a institucionalização da criminalidade.

EP - O senhor vê alguma metáfora no assunto do lixo de Nápoles?
Fo - Nos desastres é difícil ver metáforas. Isto é a degeneração de uma organização que deve ser civil. Vem de antes, quando Berlusconi em vez de organizar... É verdade que Nápoles é uma cidade de loucos com um sentido quase nulo da coletividade, sua história sempre foi assim. A grande loucura é que em Nápoles se faz a coleta de lixo diferenciada, mas os que retiram o lixo o atiravam todo junto no caminhão. E isso criou o caos. E por cima entrou a máfia para resolver o problema... é o caos da nave dos loucos.

EP - E torna a começar com outro período eleitoral?
Fo - O maior perigo é que devido a esse vazio haja uma rejeição ao voto que arraste os jovens, que não irão votar... e a abstenção é muito perigosa.

EP - E Veltroni, tentando unir a esquerda ao centro?
Fo - Não sei se é um lobo com pele de cordeiro. Fez uma série de coisas um tanto estranhas, que não estão agradando; basta ver como compôs seu partido, era de esquerda e o situou no centro, metendo no mesmo saco democratas-cristãos e comunistas e ao mesmo tempo eliminando opções intermediárias, como os socialistas, algum pequeno partido, outros colaterais, radicais...

EP - E tomando como modelo J. F. Kennedy.

Fo - Se alguém se situa no centro, fala nos líderes de centro. Hoje já não se fala em grandes homens da Revolução de Outubro ou de Marx; quem o fizer já perdeu de cara.

EP - O que o senhor fará se Berlusconi ganhar?
Fo - Não sei, não sei, não sei. Ficarei, seria infame que tivesse de ir embora, a não ser que surja uma repressão e eu tenha de fugir, uma tradição dos italianos, sobretudo nos 1900 e com o fascismo, como os espanhóis. Passamos momentos idênticos.

EP - Sendo o senhor um ateu convicto e confesso, não deixa de ser curiosa essa paixão, transformada em autêntica investigação, sobre Jesus Cristo, os Evangelhos, São Francisco, a Igreja?
Fo - Jesus foi um grande homem de teatro, de verbo incrível e grande sentido da organização das histórias que contava; planejava espacialmente seus discursos utilizando os declives do terreno, de maneira que falava sem forçar muito a voz para 5 mil ou 10 mil pessoas. Que sentido da cena!

EP - Com as técnicas usadas pelos gregos para seus teatros?
Fo - Exatamente. Ele enfrentava a necessidade de ter de improvisar, nem todos os que iam estavam de acordo, havia provocadores, e ele jamais os expulsava, tentava integrá-los. Parece que o fazia com circunstâncias em que não faltavam elementos cômicos e situações grotescas, tinha essa grande habilidade, como São Francisco, fazia discursos limados e polidos.

EP - Isso se depreende da leitura dos Evangelhos?
Fo - Nos Apócrifos se vê claramente que buscava diálogos, criava atmosferas, réplicas com seus discípulos... se intuem muitas coisas se forem lidos com atenção, e se descobre que aquilo só poderia funcionar se fosse encenado com atores e com situações coletivas e corais. Isso é teatro!

EP - Não havia improvisação?

Fo - Nada era deixado ao acaso. A mesma anedota era contada em lugares diferentes, como demonstram vários testemunhos, era um espetáculo em turnê; passou três anos em turnê em uma área geográfica enorme. Em teatro não se improvisa, é preciso respeitar algumas regras, e ele o fazia.

EP - Segundo suas palavras, o senhor e Franca Rame viveram 300 anos. Que planos têm para os próximos 300?
Fo - Continuar trabalhando todos os dias. Uma das piores coisas que podem acontecer a um homem é deixar-se abater pela idade, assumir que deve aceitar retirar-se com tranqüilidade e serenidade. Na Itália dizemos "andare in pensione". É o pior que pode acontecer, sair da vida.

EP - O senhor parece muito preocupado com o meio ambiente e fala em "apocalipse inconsciente".
Fo -
Estamos aí. O poder, através da desinformação, de seus próprios espetáculos, jornais, manifestações, atordoa as pessoas para que não pensem e não se preocupem com o que está acontecendo. Age como se estivéssemos em uma nave à deriva, o capitão aparece de vez em quando e diz, sorridente: "Não está acontecendo nada, este é o melhor dos mundos", como o Cândido de Voltaire. Mas enquanto isso encontramos mulheres maltratadas, crianças mortas, operários que caem no desemprego e o planeta agonizando.

EP - A solução?
Fo - Tudo passa pela conscientização, e lutar para que as pessoas saibam. Eu sempre acreditei que o melhor modo de informar as pessoas é envolvê-las com o humor, com o riso, é preciso rir de si mesmo, compreender que somos imbecis que nos deixamos manipular por quem dirige e manda.

EP - O poder também riria de si mesmo?
Fo - Não, o poder não sabe rir. Outro dia me disseram: "O homem sério é aquele que não sabe rir"; é o que não tem senso de humor, não compreende as ironias, as ocorrências, as piadas, o grotesco, não é sério porque seja honesto.

EP - Temos eleições na Espanha. Algo a dizer?
Fo - Diga-me você. Rodríguez Zapatero também se enganou algumas vezes, mas produziu outro clima na Espanha... é uma população feliz, sobretudo em relação à Itália, que agora está decadente em conseqüência de uma política incrível.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

sexta-feira, 14 de março de 2008

Como ler a Bíblia - História, profecia e literatura

A Bíblia é mais lida que qualquer outro livro. De fato, muitas pessoas tentam viver suas vidas de acordo com suas palavras. A pergunta é: elas entendem o que estão lendo? Como mostra o livro de Steven McKenzie, Como ler a Bíblia - História, profecia e literatura (Rosari, 216 pp., R$ 37), geralmente a resposta é "Não". McKenzie argumenta que para compreender a Bíblia precisamos entender as intenções dos autores bíblicos - que tipo de textos pensavam estar escrevendo e como queriam que seus textos fossem entendidos por seu público. Em resumo, precisamos reconhecer os gêneros aos quais os textos pertencem. McKenzie examina vários textos que são tipicamente incompreendidos.

O exílio na Babilônia: um novo olhar sobre antigas tradições

O exílio na Babilônia: um novo olhar sobre antigas tradições
Autor:
Alessandra Cristina Monteiro de Castro Tribo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)/USP
Área de concentração:
Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas
Dissertação de Mestrado
Defesa:
11/10/2007.

Resumo original: A partir da narrativa bíblica, é possível analisar a vida e a atividade profética de Jeremias. Este homem foi um dos responsáveis pela estruturação da religião judaica na diáspora, uma vez que através da sua mensagem aos exilados, uma nova relação com a divindade pôde ser estabelecida. Suas idéias inovaram as condições de relacionamento entre divindade e povo, uma vez que a estrutura anteriormente existente tinha como base uma relação de suserania e vassalagem. Este modelo era encontrado nos tratados realizados entre os governantes dos grandes reinos do Oriente Médio, durante o período da antigüidade. Assim, para se entender as mudanças propostas por Jeremias e suas inovações, foi necessário realizar a caracterização dos modelos de aliança, acima mencionados. A partir disto, estudou-se alianças realizadas anteriormente entre a divindade e o povo de Israel. As palavras de Jeremias serviram para que uma nova forma de relacionamento com a divindade fosse estabelecida pela população judaíta deportada para a Babilônia. Esta nova base permitiu a preservação de uma tradição, cuja origem é muito anterior ao século VI a.C., que hoje denomina-se Judaísmo.

Palavras-chave: Aliança sinaítica - Bênçãos e maldições – Deuteronômio - Exílio da Babilônia – Jeremias - Tratados de suserania e vassalagem.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Archaeological sensation in Austria. Scientists from the University of Vienna unearth the earliest evidence of Jewish inhabitants in Austria

Gold Scroll. For download see below.


Archaeologists from the Institute of Prehistory and Early History of the University of Vienna have found an amulet inscribed with a Jewish prayer in a Roman child’s grave dating back to the 3rd century CE at a burial ground in the Austrian town of Halbturn.

The 2.2-centimeter-long gold scroll represents the earliest sign of Jewish inhabitants in present-day Austria.

This amulet shows that people of Jewish faith lived in what is today Austria since the Roman Empire. Up to now, the earliest evidence of a Jewish presence within the borders of Austria has been letters from the 9th century CE. In the areas of the Roman province of Pannonia that are now part of Hungary, Croatia and Serbia, gravestones and small finds attest to Jewish inhabitants even in antiquity. Jews have been settling in all parts of the ancient world at the latest since the 3rd century BCE. Particularly following the second Jewish Revolt against the Roman Empire, the victorious Romans sold large numbers of Jews as slaves to all corners of the empire. This, coupled with voluntary migration, is how Jews also might have come to present-day Austria.

Child’s grave
The one or two year old child, which presumably wore the silver amulet capsule around its neck, was buried in one of around 300 graves in a Roman cemetery which dates back to the 2nd to 5th century CE and is situated next to a Roman estate ("villa rustica").
This estate was an agricultural enterprise that provided food for the surrounding Roman towns (Carnuntum, Györ, Sopron).

The gravesite, discovered in 1986 in the region of Seewinkel, around 20 kilometres from Carnuntum, was completely excavated between 1988 and 2002 by a team led by Falko Daim, who is now General Director of the Roman-German Central Museum of Mainz, with the financial backing of the Austrian Science Fund FWF and the Austrian state of Burgenland. All in all, more than 10,000 individual finds were assessed, most notably pieces of glass, shards of ceramic and metal finds. The gold amulet, whose inscription was incomprehensible at first, was only discovered in 2006 by Nives Doneus from the Institute for Prehistory and Early History of the University of Vienna.

The inscription on the amulet is a Jewish prayer
ΣΥΜΑ ΙΣΤΡΑΗΛ ΑΔΩNΕ ΕΛΩΗ ΑΔΩN Α
Hear, O Israel! The Lord is our God, the Lord is one.

Greek script, Hebrew language
Greek is common with amulet inscriptions, although Latin and Hebrew and amulet inscriptions are known. In this case, the scribe's hand is definitely familiar with Greek. However, the inscription is Greek in appearance only, for the text itself is nothing other than a Greek transcription of the common Jewish prayer from the Old Testament (Deuteronomy, 6:4): "Hear, O Israel! The Lord is our God, the Lord is one."

Amulet to protect against demons
Other non-Jewish amulets have been found in Carnuntum. One gold- and three silver-plated amulets with magical texts were found in a stone sarcophagus unearthed west of the camp of the Roman legion, including one beseeching Artemis to intervene against the migraine demon, Antaura. Amulets have also been found in Vindobona and the Hungarian part of Pannonia. What is different about the Halbturn gold amulet is its Jewish inscription. It uses the confession to the center of Jewish faith and not magic formulae.

The gold-plated artefact from Halbturn can be viewed from 11 April 2008 onwards as part of the "The Amber Road – Evolution of a Trade Route" exhibition in the Burgenland State Museum in Eisenstadt.