Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Approaching Yehud: New Approaches to the Study of the Persian Period

Approaching Yehud: New Approaches to the Study of the Persian Period
Jon L. Berquist, ed.
Reviewed by Armin Siedlecki.

Description: The long-held view that the Persian period in Israel (known as Yehud) was a historically derivative era that engendered little theological or literary innovation has been replaced in recent decades by an appreciation for the importance of the Persian period for understanding Israel´s literature, religion, and sense of identity. A new image of Yehud is emerging that has shifted the focus from viewing the postexilic period as a staging ground for early Judaism or Christianity to dealing with Yehud on its own terms, as a Persian colony with a diverse population. Taken together, the thirteen chapters in this volume represent a range of studies that touch on a variety of textual and historical problems to advance the conversation about the significance of the Persian period and especially its formative influence on biblical literature.
Subjects: Methods, Historical Approaches, History, Persian Period

Review by Armin Siedlecki
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Published 7/12/2008
Citation: Armin Siedlecki, review of Jon L. Berquist, ed., Approaching Yehud: New Approaches to the Study of the Persian Period, Review of Biblical Literature [http://www.bookreviews.org] (2008).


Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Israel's Ethnogenesis: Settlement, Interaction, Expansion and Resistance

Israel's Ethnogenesis: Settlement, Interaction, Expansion and Resistance
Faust, Avraham
Reviewed by Kenton L. Sparks

London: Equinox, 2007
Review by Kenton L. Sparks
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Published 7/12/2008


Domingo, 20 de Julho de 2008

Liturgia Judaica - Oração Judaica - Shemá Israel

Anne-Catherine Avril

Nostra Aetate

Pierre Lenhardt

Veja mais:

Leituras:

  • ARANDA PÉREZ, Gonzalo et alii. Literatura judaica intertestamentária. Trad. Mário Gonçalves. São Paulo: Ave-Maria, 2000.
  • KETTERER, Eliane; REMAUD, Michel. O midraxe. Trad. Maria C.de M.Duprat. São Paulo: Paulus, 1996.
  • LENHARDT, Pierre; COLLIN, Matthieu. Evangelho e tradição de Israel. Trad. M.Cecília de M.Duprat. São Paulo: Paulus, 1994.
  • ______. A Torah Oral dos Fariseus. Trad. Nadyr de S.Penteado. São Paulo: Paulus, 1997.
  • LIMENTANI, Giacoma. O Midraxe. Como os mestres judeus liam e viviam a Bíblia. Trad. Bertilo Brod. São Paulo: Paulus, 1998.
  • PONTIFÍCIA Comissão Bíblica. O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2001.
  • TREBOLLE BARRERA, Julio. A Bíblia judaica e a Bíblia cristã: introdução à história da Bíblia. Trad. Ramiro Mincato. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

Deus bíblico pode ser fusão de vários deuses pagãos, dizem especialistas

Personalidade e atributos de Javé são compartilhados com outras divindades do Oriente. Pai celestial El, jovem guerreiro Baal e até 'senhora' Asherah teriam sido influências.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo, em 20/07/2008.

A afirmação pode soar desrespeitosa para judeus ou cristãos, mas não está muito longe da verdade: Javé, o Deus do Antigo Testamento, parece ter múltiplas personalidades. Para ser mais exato, especialistas que estudam os textos bíblicos, lêem antigas inscrições encontradas nos arredores de Israel ou escavam sítios arqueólogicos estão reconhecendo a influência conjunta de diversos deuses pagãos antigos no retrato de Javé traçado pela Bíblia.

A idéia não é demonstrar que o Deus bíblico não passa de mais um personagem da mitologia. Os pesquisadores querem apenas entender como elementos comuns à cultura do antigo Oriente Próximo, e principalmente da região onde hoje ficam o estado de Israel, os territórios palestinos, o Líbano e a Síria, contribuíram para as idéias que os antigos israelitas tinham sobre os seres divinos. As conclusões ainda são preliminares, mas há bons indícios de que Javé é uma fusão entre um deus idoso e paternal e um jovem deus guerreiro, com pitadas de outras divindades – uma delas do sexo feminino.

O ponto de partida dessas análises é o fundo cultural comum entre o antigo povo de Israel e seus vizinhos e adversários, os cananeus (moradores da terra de Canaã, como era chamada a região entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo em tempos antigos). A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente distinto dos cananeus, mas os dados arqueólogicos revelam profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material – a língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico.

Memórias de Ugarit
Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia. No entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas às de seus primos do sul. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças (e diferenças) impressionantes com as narrativas da Bíblia. “Por isso, Ugarit é uma parte importante do fundo cultural que, mais tarde, daria origem às tribos de Israel”, resume Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA).

Uma das figuras mais proeminentes nesses textos é El – nome que quer dizer simplesmente “deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. “Patriarca” é a palavra-chave: o El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó.

Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna.

Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos; e, mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs, tal como Abraão, Isaac e Jacó: eles os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo “mais numeroso que as estrelas do céu”.

Israel ou “Israías”?
Outros dados, mais circunstanciais, traçam outros elos entre o Deus do Gênesis e El: num dos trechos aparentemente mais antigos do livro bíblico, Deus é chamado pelo epíteto poético de “Touro de Jacó” (frase às vezes traduzida como “Poderoso de Jacó”), enquanto a mitologia ugarítica compara El freqüentemente a um touro. Finalmente, o próprio nome do povo escolhido – Israel, originalmente dado como alcunha ao patriarca Jacó – carrega o elemento “-el”, lembra Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP).

“É o nome do deus cananeu, mais um indício de que Israel surge dentro de Canaã, por um processo gradual”, diz Silva. Ele argumenta que, se Javé fosse desde sempre a divindade dos israelitas, o nome desse povo seria “Israías”. Isso porque o elemento adaptado como “-ías” em português (algo como -yahu) era, em hebraico, uma forma contrata do nome “Javé”. Curiosamente, o elemento se torna dominante nos chamados nomes teofóricos (ligados a uma divindade) dados a israelitas no período da monarquia, a partir dos séculos 10 a.C. e 9 a.C.

E esse nome (provavelmente Yahweh em hebraico; a sonoridade original foi obscurecida pelo costume de não pronunciar a palavra por respeito) é um enigma e tanto. As tradições bíblicas são um tanto contraditórias, mas pelo menos uma fonte das Escrituras afirma que Javé só deu a conhecer seu verdadeiro nome aos israelitas quando convocou Moisés para ser seu profeta e arrancar os descendentes de Jacó da escravidão no Egito. (A Moisés, Deus diz que apareceu a Abraão, Isaac e Jacó como “El Shadday”.) O problema é que ninguém sabe qual a origem de Javé, o qual nunca parece ter sido uma divindade cananéia, exatamente como diz o autor bíblico.

Senhor do deserto
A esmagadora maioria dos arqueólogos e historiadores modernos não coloca suas fichas no Êxodo maciço de 600 mil israelitas (sem contar mulheres e crianças) do Egito, por dois motivos: a semelhança entre Israel e os cananeus e a falta de qualquer indício direto da fuga. Mas muitos supõem que um pequeno componente dos grupos que se juntaram para formar a nação israelita tenha sido formado por adoradores de Javé, que acabaram popularizando o culto. Quem seriam esses primeiros javistas? Uma pista pode vir de alguns documentos egípcios, que os chamam de Shasu – algo como “nômades” ou “beduínos”.

“Duas ou três inscrições egípcias mencionam um lugar chamado 'Yhwh dos Shasu', o que, para alguns especialistas, parece ser 'Javé dos Shasu'. Talvez sim, talvez não. Não temos como saber ao certo”, diz Mark S. Smith, pesquisador da Universidade de Nova York e autor do livro “The Early History of God” (“A História Antiga de Deus”, ainda sem tradução para o português).

“É menos provável que o culto a Javé venha de dentro da Palestina e da Síria, e um pouco mais plausível que ele tenha se originado em certas regiões da Arábia”, diz Airton da Silva. Mark Smith lembra que algumas das passagens poéticas consideradas as mais antigas da Bíblia – nos livros dos Juízes e nos Salmos, por exemplo – referem-se ao “lar” de Javé em locais denominados “Teiman” ou “Paran”. Aparentemente, são áreas desérticas, apropriadas para a vida de nomadismo. “Muitos especialistas localizam essa região no que seria o noroeste da atual Arábia Saudita, ao sul da antiga Judá [parte mais meridional dos territórios israelitas]”, diz Smith.

Guerreiro divino
Seja como for, quando Javé entra em cena com seu “nome oficial” durante o Êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele já absorveu boa parte das características de um outro deus cananeu: Baal (literalmente “senhor”, “mestre” e, em certos contextos, até “marido”), um guerreiro jovem e impetuoso que acabou assumindo, na mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano), o papel de comando que era de El.

Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem no fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Javé é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrita como “cavalgando as nuvens” e “trovejando”. E, mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho, em que as águas engolem o exército egípcio por ordem divina) ou derrotando monstros marinhos.

Há aí uma série de semelhanças com a mitologia cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o deus-monstro marinho Yamm (o nome quer dizer simplesmente “mar” em hebraico) ou “o Rio” personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos deuses.

Javé também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos – atributos que aparecem entre as funções de Baal. Há, porém, uma diferença importante entre os dois deuses: outra narrativa de Ugarit fala do assassinato de Baal pelas mãos de Mot, o deus da morte, e da ressurreição do jovem guerreiro – provavelmente uma representação mítica do ciclo das estações do ano, essencial para a agricultura, já que Baal era um deus que abençoava a lavoura.

O lado guerreiro de Javé é talvez o mais difícil de aceitar para a sensibilidade moderna: quando os israelitas realizam a conquista da terra de Canaã, a ordem dada por Deus é de simplesmente exterminar todos os habitantes, e às vezes até os animais (embora, em alguns casos, os homens de Israel recebam permissão para transformar as mulheres do inimigo em concubinas).

Textos de outra nação da área, os moabitas (habitantes de Moab, a leste do Jordão) ajudam a lançar luz sobre esse costume aparentemente bárbaro. Um monumento de pedra conhecido como a estela de Mesa (nome de um rei de Moab em meados do século 9 a.C.) fala, ironicamente, de uma guerra de Mesa com Israel na qual o rei moabita, por ordem de seu deus, Chemosh, decreta o herem, ou “interdito”. E o herem nada mais é que a execução de todos os prisioneiros inimigos como um ato sagrado. Tratava-se, portanto, de um elemento cultural de toda a região.

Lado feminino
Se a “múltipla personalidade” de Javé pode ser basicamente descrita como uma combinação de El e Baal, há uma influência mais sutil, mas também perceptível, de um elemento feminino: a deusa da fertilidade Asherah, originalmente a esposa de Baal na mitologia cananéia. Normalmente, Deus se comporta de forma masculina na Bíblia, e a linguagem utilizada para falar de sua relação com os israelitas é, muitas vezes, a de um marido (Deus) e a esposa (o povo de Israel). Mas o livro bíblico dos Provérbios, bem como alguns outras fontes israelitas, apresenta a figura da Sabedoria personificada, uma espécie de “auxiliar” ou “primeira criatura” de Deus que o teria auxiliado na obra da criação do mundo.

Segundo o texto dos Provérbios, Deus “se deleita” com a Sabedoria e a usa para inspirar atos sábios nos seres humanos. Para muitos pesquisadores, a figura da Sabedoria incorpora aspectos da antiga Asherah na maneira como os antigos israelitas viam Deus, criando uma espécie de tensão: embora o próprio Deus não seja descrito como feminino, haveria uma complementaridade entre ele e sua principal auxiliar.


Sábado, 19 de Julho de 2008

II Congresso Internacional em Ciências da Religião – “Novas tendências na Sociologia da Religião” (UCG)

II Congresso Internacional em Ciências da Religião – “Novas tendências na Sociologia da Religião”

Período: 29, 30 e 31 de outubro de 2008, em Goiânia

Instituição: Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião – Mestrado e Doutorado – da Universidade Católica de Goiás

Apresentação

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião – Mestrado e Doutorado – da Universidade Católica de Goiás tem por objetivo incentivar a pesquisa e a produção científica sobre o fenômeno religioso em sua constituição epistemológica, cultural e sua significação como fato social; promover a formação científica aprofundada de docentes e pesquisadores (as) para uma melhor compreensão das formas históricas da religião e de sua interação com a cultura e as transformações sociais.

Uma das linhas de pesquisa do Programa é a investigação das interações entre Religião e Movimentos Sociais. No referido bloco pesquisam-se as instituições religiosas, os movimentos sociais e religiosos, na perspectiva da sociologia da religião e de outras disciplinas afins, priorizando a análise da relação entre as diferentes categorias sociais marginalizadas e o fenômeno religioso. Neste sentido, a realização do II Congresso Internacional em Ciências da Religião, cujo tema é “Novas tendências em sociologia da religião” apresenta-se como um meio privilegiado para o Programa concretizar seus objetivos.

O debate sobre “Novas tendências em sociologia da religião” justifica-se, uma vez que: as mudanças ocorridas no campo religioso e na sociedade; as diferentes formas pelas quais as religiões se configuram na atualidade, com suas especificidades internas; as diferentes formas em que as religiões participam da vida pública, adquirem expressão e contribuem para configurar o nosso universo social, para serem compreendidas, exigem de tal ciência uma permanente revisão de suas categorias de análise.

Analisar em profundidade os entrelaçamentos dos fenômenos religiosos com os muitos domínios da sociedade se faz necessário, uma vez que a cada dia se pode perceber mais a fragilidade das fronteiras que separam o sagrado do profano e sobretudo as constantes redefinições pelas quais estas passam. Sendo assim, necessário se faz atentar para as formas em que os princípios religiosos e laicos, em constante e recíproca fecundação, alimentam os dramas sociais correntes, temática essa com a qual se ocupam hoje pesquisadores(as) do mundo inteiro.

Objetivos

  • Discutir sobre os desafios e as contribuições que as diferentes configurações do fenômeno religioso, tanto em suas relações internas como em suas inter-relações com outras dimensões da sociedade, aportam para o campo da Sociologia da Religião;
  • Discutir sobre os temas recorrentes da Sociologia da Religião e em quais perspectivas eles são analisados;
  • Congregar pesquisadores/as de vários espaços acadêmicos, nacionais e internacionais, para apresentação de trabalhos sobre o tema;
  • Contribuir para enriquecer o debate nacional, fortalecer os projetos de parceria e cooperação internacional, dar ensejo a publicações conjuntas e à troca de pesquisadores e alunos entre as instituições conveniadas;
  • Contribuir para uma melhor inserção do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião da UCG no campo das discussões teóricas importantes da área.

O Congresso

O II Congresso Internacional em Ciências da Religião – “Novas tendências na Sociologia da Religião” – acontecerá nos dias 29, 30 e 31 de outubro de 2008, em Goiânia, ocupando três dias completos. Os convidados são estudiosos (as) e pesquisadores(as) das áreas das Ciências da Religião, da Teologia, da Antropologia, da Sociologia Religiosa e demais áreas afins. A participação de pesquisadores nacionais e internacionais irá contribuir para enriquecer o debate nacional sobre o tema; desenvolver projetos de pesquisa inter-institucionais e fortalecer os projetos de parcerias e publicações conjuntas. Calcula-se uma participação em torno de 200 participantes.

Entidade Responsável

Pela organização do Congresso e pela publicação dos textos, é responsável o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião – Mestrado e Doutorado em Ciências da Religião da Universidade Católica de Goiás (UCG).

Equipe Organizadora

IX Semana de Estudos da Religião

O Congresso coincidirá com a realização da IX Semana de Estudos da Religião, promovida anualmente pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião. Com isso, pretende-se fomentar a participação dos mestrandos(as) e doutorandos(as) no Congresso através de temas relacionados com a área de Religião e sua interface com o tema do evento. A participação é aberta a todas as pessoas interessadas.

Certificados

Mediante inscrição, pagamento e participação com 75% de freqüência será conferido um certificado aos participantes e às participantes correspondentes à 34 horas.

Temática

O tema geral do II Congresso Internacional em Ciências da Religião são as novas tendências na sociologia da religião. Consideram-se como novas tendências tanto os temas privilegiados e que são recorrentes nas análises sociológicas da religião quanto os enfoques priorizados nessas análises.

Veja mais:

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Vav Hahipuch

Vav Hahipuch

Extraído de: FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. O pacto da memória: interpretação e identidade nas fontes bíblica e talmúdica. Tese de Doutorado em Ciência da Literatura - Poética. Rio de Janeiro: UFRJ, Faculdade de Letras, 2002. p.84-86.

O hebraico bíblico forneceu o tronco, o alicerce da língua hebraica moderna. Sua contribuição manifesta-se no campo lexical e nas estruturas gramaticais: a estrutura do singular, do plural e da forma dual do substantivo, a flexão do substantivo na forma possessiva (genitivo). Forneceu as conjugações da maioria das construções verbais, bem como os tempos, ainda que não tenha conseguido expressá-los com clareza. Devemos deduzir pelo contexto se a ação ocorre no passado ou no futuro. O hebraico bíblico faz uso de um recurso denominado de vav consecutivo ou em hebraico, vav hahipuch (signo de conversão dos tempos), abolido pelo hebraico moderno.1

Cabe um comentário sobre o uso do vav hahipuch, pois o seu desconhecimento, leva a equívocos na tradução do texto bíblico. Quando a conjunção vav (e) denominada de vav consecutivo (vav hahipuch) liga os verbos, ela exerce uma função peculiar, denotando certa subordinação entre dois ou mais verbos num período.2

Caso 1
Shamar haadam et haTorá vaishbót baShabat
.
(Guardou o homem a lei e descansou no sábado).

Comentário – caso 1 - No primeiro termo [Shamar haadam et haTorá], o verbo aparece no completo (passado). A tradução normal do segundo termo [vaishbot baShabat] seria no futuro do presente (e descansará). Mas, em virtude da subordinação estabelecida pelo vav consecutivo que precede o segundo verbo, a tradução segue o tempo do primeiro ficando então: “Guardou o homem a lei e descansou no sábado”.

Caso 2
Ishmor haadam et haTorá veshavat baShabat.
(Guardará o homem a lei e descansará no sábado.)
Comentário – caso 2 - Neste caso temos o primeiro verbo no incompleto (futuro ishmor “guardará”) e o segundo no completo (passado shavat “descansou”), precedido de vav consecutivo. Em virtude da subordinação estabelecida pelo vav consecutivo, o segundo verbo é traduzido no tempo do primeiro: “Guardará o homem a lei e descansará no sábado”.
Caso 3
Shamar haadam et haTorá vaishbot baShabat veló machar.
(Guardou o homem a lei e descansou no Sábado e não vendeu.).
Comentário – caso 3 - Quando aparece na frase um advérbio de negação ou qualquer outra partícula, a subordinação desaparece nos verbos seguintes. Desta forma, o verbo que aparece após o advérbio de negação ou qualquer outra partícula, deixa de estar subordinado, voltando ao seu tempo normal na tradução.

Referências bibliográficas:
1 Ver os estudos de BEREZIN, Rifka. As origens do léxico do hebraico moderno. São Paulo: EDUSP, 1980. p.13-18; BEREZIN, Rifka. Caminhos do povo judeu. 4.ed. São Paulo: Federação Israelita do Estado de São Paulo, 1988. v.1. p.22-25; BETTENCOURT, Estêvão. Para entender o Antigo Testamento. 4 ed.ver. e atual. Aparecida: Santuário, 1990. p.9-10; CAQUOT, André. Os Semitas. In: LÉVÊQUE, Pierre. As primeiras civilizações. Trad. Antônio J.P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1990.v.III - Os Indo-Europeus e os Semitas. p.145-155. p.145-155.
2 MENDES, P. Noções de hebraico bíblico. Texto programado. São Paulo: Vida Nova, 1986. p.173-177.

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Max Weber: uma leitura da sociologia da religião

Max Weber: uma leitura da sociologia da religião
Julia Maria de Souza Rodrigues
Dissertação de mestrado em Sociologia (UNICAMP)
Orientador:
Prof. Dr. Renato Pinto Ortiz.
Data da defesa: 10/01/2001.
Resumo: A religião é, para Weber, a chave de interpretação para o entendimento de processos culturais mais amplos, como o desencantamento do mundo e a secularização. Além disso, ele a define como estilo de vida próprio fomentado pelo indivíduo, que, conseqüentemente, interfere na conduta de um grupo ou de uma coletividade historicamente determinados. A análise da religião possibilita também a compreensão interpretativa de "individualidades históricas", ou seja, das seis religiões ou sistemas como o budismo, confucionismo, judaísmo, o islamismo, protestantismo e hinduísmo, cuja descrição histórica e tipológica possibilitou a formulação mais desenvolvida da relação entre religião e economia, ou seja, da conexão de sentido entre protestantismo e capitalismo. Mediante a análise comparativa e descritiva das religiões mundiais (éticas religiosas), Weber aponta a religião (o protestantismo) como um dos determinantes causais da ética econômica do capitalismo europeu.


Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Gênesis capítulos 1 e 2, 1-4: um estudo de traduções e exegese

Gênesis capítulos 1 e 2, 1-4: um estudo de traduções e exegese
Daniela Dal Fabbro
Dissertação de Mestrado em Lingüística Aplicada (UNICAMP)
Orientador:
Prof. Dr. Eric Mitchell Sabinson
Data da defesa: 26/04/2002.
Resumo: O ponto de partida deste trabalho é a interpretação da história da criação do mundo. Com o objetivo de mostrar um pouco da exegese bíblica, são analisadas traduções, feitas a partir do hebraico, à luz de um dos maiores exegetas do judaísmo, Rashi. Entre os tradutores- Haroldo de Campos, André Chouraqui, Rabino Meir Matzliah Melamed e Aryeh Kaplan - incluo uma lingüista aplicada, Dal Fabbro, a autora desta pesquisa. A análise se pauta pelos níveis lingüísticos (sintático, morfológico, léxico-semântico) e por fatores pragmáticos e estilísticos. O arcabouço teórico inclui os trabalhos. de Umberto Eco (com a noção de "intenção de texto") , Travaglia (a tradução como ressignificação) e Patrick Dahlet (abordagem cognitivo-lingüístico à produção textual). Conclui-se que todas as traduções analisadas se centralizam no significado do texto, levando em conta a língua e a cultura hebraicas, ou seja, buscam a intenção do texto. As diferenças entre uma tradução e a outra se devem (1) ao nível lingüístico, priorizado por cada um dos tradutores, (2) ao ponto de vista de cada um, (3) à relação entre tradutor e leitor (pragmática) e/ou (4) a variações estilísticas.

Os olhos de Leia: polêmicas entre o sagrado e o profano na tradução da Bíblia

Os olhos de Leia: polêmicas entre o sagrado e o profano na tradução da Bíblia
Lucineia Marcelino Villela
Dissertação de Mestrado em Lingüística Aplicada (UNICAMP)
Orientador:
Prof. Dr. Paulo Roberto Ottori
Data da defesa: 16/02/1997.
Resumo: O objetivo principal deste estudo é refletir sobre a tradução da Bíblia no que se refere às teoria de tradução e às suas conseqüências para o texto bíblico. Começamos esta reflexão com a análise da tradução de Gênesis 29.17, que evidencia um verdadeiro jogo de disputas na tradução de Os olhos de Léia. As traduções diferentes e opostas da palavra hebraica rak nos mostrarão a impossibilidade de considerar uma tradução como correta ou sagrada excluindo outras traduções possíveis como erradas ou profanas. Eugene Nida aparece como o teórico de maior importância no campo da Tradução Bíblica e consideraremos alguns de seus trabalhos nos quais se encontram postulados e regras que tentam determinar e controlar a produção de sentidos na tarefa tradutória. Analisaremos também dois outros casos de discussões e críticas sobre traduções da Bíblia, com o objetivo de corroborar nossa hipótese de que o processo de tradução pode levantar a questão das dicotomias e oposição de significados a partir de uma mesma palavra ou termo na língua ou texto "original". A relevância desta dissertação está em considerar a diferença e a oposição na tradução da Bíblia como um assunto complexo e tratar dicotomias como Sagrado e Profano como possíveis e inevitáveis, dentro de um mesmo contexto como pudemos analisar nos Olhos de Leia.

Neologismo semântico na massorá tiberiense

Neologismo semântico na massorá tiberiense
Edson de Faria Francisco
Tese de Doutorado
Área de concentração:
Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)
Data de Defesa:
07/03/2008
Resumo: O trabalho meticuloso de preservação e de transmissão da Bíblia Hebraica elaborado pelos massoretas, no período medieval, recebe o nome de massorá. Tal designação técnica refere-se, especificamente, ao conjunto de anotações escrito nos códices massoréticos medievais de tradição tiberiense. Tais observações são também encontradas nas modernas edições críticas da Bíblia Hebraica e em algumas publicações de Bíblias rabínicas. As observações foram elaboradas e desenvolvidas por três tradições massoréticas distintas: a babilônica, a palestina e a tiberiense. A massorá de tradição tiberiense é aquela que se tornou definitiva e a mais estudada pelo mundo acadêmico. A massorá de tradição tiberiense é composta por itens terminológicos de procedência aramaica e hebraica. Os termos massoréticos foram usados de forma específica para indicar os vários aspectos do texto da Bíblia Hebraica, como questões relacionadas a consoantes, sinais vocálicos, acentos de cantilação, palavras, expressões, grafias, além de detalhes e observações gramaticais. Esse trabalho teve como objetivo principal a preservação e a transmissão completa do corpus das Sagradas Escrituras hebraicas. Devido a tal fato, esta tese é dedicada a dois objetivos principais: 1. Estudar e trazer contribuições sobre a realidade lingüística vivida pelos massoretas e seu trato das línguas hebraica e aramaica dentro da massorá. Esse estudo pretende verificar se a linguagem da massorá poderia constituir um jargão, uma gíria ou uma linguagem de especialidade. Além disso, o trabalho aborda, mesmo que brevemente, questões relacionadas à linguagem elíptica e sintetizada da massorá. 2. Seleção e análise de um conjunto de itens terminológicos massoréticos registrados no Códice de Leningrado: Firkowitch I. B19a (L), classificando-os de acordo com sua natureza semântica, como monossememia e polissememia e tipos de neologia semântica, como extensão, estreitamento, sinédoque etc. Em suma, uma classificação de possíveis situações de neologismos semânticos presentes na massorá tiberiense, como registrada no Códice L.

Veja mais:
Masora Parva Comparada