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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Hebrew Cantillation Marks

Hebrew Cantillation Marks
A short description of the Hebrew cantillation marks (ta’amim) and their usage for structuring the Bible text, by Helmut Richter.

A short description of the Hebrew cantillation marks and their usage for structuring the Bible text is given. The problems of their representation in modern character codes are briefly outlined. The article contains also tables with the Unicode and the Michigan-Claremont codings of the cantillation marks. Cantillation, which obviously is the purpose of cantillation marks, is not treated here.


Veja mais:

FERREIRA, Cláudia A.P. O pacto da memória: interpretação e identidade nas fontes bíblica e talmúdica. Tese de Doutorado em Ciência da Literatura (Poética). Rio de Janeiro, UFRJ/Faculdade de Letras, 2002. Páginas 48-49:

A acentuação massorética foi criada pelos massoretas, os escribas, antigos mestres fariseus, que preservavam o texto bíblico. Como o alfabeto hebraico só possuísse consoantes, os massoretas criaram no século IX um tipo especial de vogais, na realidade pontos e traços, colocados acima, ao lado e abaixo das consoantes, permitindo desta forma uma prosódia adequada do texto bíblico preservando o seu sentido. Os massoretas também criaram símbolos para os acentos musicais, chamados de taamim, que significa, literalmente “gostos”; denominados às vezes, neguinot “notas” ou “melodias”.[1]

Esta acentuação constituía um sistema de notação musical para o cântico do texto hebraico nas leituras públicas da Torá (Pentateuco).[2]

A entoação do texto bíblico por meio dos acentos colocados acima e abaixo das sílabas hebraicas pode ser descrita como uma forma de declamação musical, realizando a fusão da palavra com a melodia. Os taamim assemelham-se grandemente às neumas, o sistema de sinais musicais que a Igreja Bizantina foi a primeira a adotar. As neumas e os taamim apareceram no século IX: ambos representavam sistemas rudimentares e inexatos de notação de cantigas. Os taamim eram indicações ligeiras ao leitor ou entoador: eles sugeriam quando elevar, abaixar ou sustentar a voz, ou quando deveria fazer uma pausa longa ou breve. Este sistema de notação não colocava a ênfase na música, mas nas sílabas das palavras hebraicas do texto, o ritmo provinha das sílabas que havia no cântico. Com o tempo, tropos ou grupos de notas foram justapostos para a ornamentação das sílabas mais significativas visando dar-lhes maior ênfase musical e aprimorar o texto.

Os taamim não indicavam valores dinâmicos precisos em tom e em tempo e não tinham escala nem ritmo. Não havia ordem na seqüência de sons. O leitor-cantor não obedecia a regras, mas simplesmente improvisava elevando, baixando e sustentando as notas, e fazendo pausa quando os sinais indicavam que devia fazê-lo. O leitor-cantor repetia o esquema tal como aprendido a entoar segundo a tradição oral.

Surgiram várias formas de salmodias judaicas em diferentes países de acordo com diferentes correntes da tradição musical judaica. Os taamim ainda são usados na leitura em cantilena do texto bíblico.[3]

Conhecer a função de cada sinal, conjuntamente, com a passagem bíblica, nos permite compreender o sentido do texto muito além de apenas considerarmos regras gramaticais e as palavras isoladamente.



[1] Os acentos hebraicos servem basicamente a três propósitos: 1) Eles marcam a tonicidade da palavra. Ela geralmente será a última sílaba da palavra, mas também poderá ser a penúltima. 2) Eles regulam a recitação dos textos bíblicos, pois os rolos de textos bíblicos lidos nas sinagogas não têm pontuação, e as vogais e os acentos são recitados de memória. 3) Eles servem como sinais de pontuação, mostrando como era percebida a estrutura da frase por ocasião quando foram colocados no texto. Como sinais de pontuação, os acentos podem ser disjuntivos, que separam, ou conjuntivos, que ligam. Esses sinais nos ajudam a identificar as partes que compõem uma frase hebraica e são, desta forma vital para a compreensão do sentido do texto.
[2] A leitura do texto bíblico é ainda realizada nos dias atuais na forma de canto.
[3] Veja no link Navigating The Bible uma das possibilidades de cantilação do texto hebraico bíblico.

Opinião - O espírito chega antes do missionário

Leonardo Boof, Teólogo
Jornal do Brasil, Opinião, página 9, em 30/06/2008.

Um dos efeitos do processo de mundialização – que vai muito além de sua expressão econômico-financeira – é o encontro com todo tipo de tradições espirituais e religiosas. Instaurou-se um verdadeiro mercado de bens simbólicos no qual os vários caminhos, doutrinas, cerimoniais, ritos e esoterismos são oferecidos para atender à demanda de um número crescente de pessoas, geralmente, fatigadas pelo excesso de materialimso, racionalismo, consumismo e superficialismo de nossa cultura convencional.

Por detrás deste fenômeno há uma busca humana a ser entendida e também a ser atendida. O espiritual e o místico, à revelia das predições dos mestres da suspeita como Marx, Freud e Nietzsche, estão voltando com renovado vigor. Eles revelam uma dimensão esquecida do ser humano, vista pelos modernos, mais como expressão de patologia do que de sanidade. Hoje, entre os estudiosos das ciências da religião, ela está resgatando sua cidadania. Tem seu assento na razão sensível e cordial que não substitui mas completa a razão científico-calculatória. Nela se elaboram os grandes sonhos e surgem as estrelas-guias que dão rumo à nossa vida. A religião desvela o ser humano como projeto infinito e lhe brinda o objeto adequado que o faz descansar: o infinito.

Os cristãos têm especial dificuldade no diálogo com as religiões. Sustentam a crença de que são portadores de uma revelação única e de um salvador universal, Jesus Cristo, o filho de Deus encarnado. Em alguns, esta crença ganha foros de fundamentalismo, dizendo, sem atalhos, que fora do cristianismo não há salvação, repetindo uma versão de cariz medieval. Outros, a partir da própria Bíblia e de uma reflexão teológica mais profunda, sustentam que todos os seres humanos, também o cosmos, estão permanentemente sob o arco-íris da graça de Deus. Para os primeiros 11 capítulos do Gênesis, nos quais não se fala ainda em Israel, como "povo eleito", todos os povos da Terra, são povos de Deus. Isso permanece válido até os tempos atuais.

Ademais, dizem as Escrituras que o espírito enche a face da Terra, perpassa a história, anima as pessoas a praticarem o bem, a viverem na verdade e a realizarem a justiça e o amor. O espírito chega antes do missionário. Este, antes de anunciar sua mensagem, precisa reconhecer as obras que este espírito fez no mundo e prolongá-las.

O Cristo não pode ser reduzido ao espaço palestinense. Ao assumir o homem Jesus de Nazaré, o filho se inseriu no processo da evolução, tocou a realidade humana e ganhou uma dimensão cósmica. Coube ao teólogo franciscano Duns Scotus na Idade Média e a Teilhard de Chardin nos tempos modernos apontar que o filho está presente na matéria e nas energias originarias e que foi densificando sua presença na medida em que se realizava a complexidade e crescia a consciência até irromper na forma de Jesus de Nazaré. Esta individuação não diminui seu caráter divino e cósmico, de forma que pode irromper, sob outros nomes e sob outras figuras que revelam em suas vidas e obras a cercania do mistério de Deus. Para evitar certa "cristianização"do tema, podemos falar, como o fazem grandes tradições, da sabedoria/sofia. Ela está presente na criação, na vida dos povos e especialmente nas lições dos mestres e sábios. Ou se usa também a categoria logos ou verbo que revela o momento de inteligibilidade e ordenação do universo. Ele não fica uma energia impessoal mas revela suma subjetividade e suprema consciência.

Estas visões ancoram nossa vida num sentido bom que nos permite suportar os avatares desta cansada existência.

Símbolo nacional, o cedro está desaparecendo da paisagem do Líbano

Tomás Alcoverr, La Vanguardia, em 30/06/2008.

Com US$ 100 você pode plantar um cedro, com uma placa no seu nome e um certificado de propriedade, no monte Makmil, perto da antiga floresta de cedros de Becharre. Em um viveiro crescem lentamente essas árvores que nos tempos bíblicos cobriram as montanhas do Líbano.

Sua germinação é trabalhosa. Devem transcorrer dois ou três anos até seu transplante nos bosques vizinhos, e é preciso que a neve os cubra por pelo menos 20 dias para que cresçam com força na localidade de Tannurin, que com Becharre e Baruk, além de mais uma dúzia de lugares dispersos pelo Líbano, possui o bosque mais povoado. Um inseto causa estragos nos cedros, devorando suas folhas novas, e se esconde por dois ou três anos embaixo da terra. Chamado Cephalia tannurensis, é a nova maldição florestal.

Alfredo Harp, milionário mexicano de origem libanesa e primo de Carlos Slim (o homem mais rico do mundo), financiou a plantação de 40 mil cedros em Becharre. Nesse belo e íngreme povoado na montanha, edificado sobre o vale de Kadicha, com mosteiros, igrejas, capelas e cavernas de antigos anacoretas maronitas, e pátria do poeta Gibran Khalil Gibran, penduraram cartazes para recebê-lo triunfalmente. Com seu impulso avançará o replantio de até 60 mil cedros nas terras de propriedade da prefeitura e do patriarcado maronita. As pequenas mudas, em saquinhos de plástico preto, esperam nos viveiros junto às placas de seus donos o dia em que serão plantadas nas encostas do Makmil.

Nos últimos anos, graças ao Comitê Internacional do Cedro, animado por Desirée Aziz, que apresentou ao papa em Roma seu livro sobre as prestigiosas coníferas com o objetivo de apregoar as peripécias de sua sorte, a opinião pública foi se sensibilizando. Há séculos que os cedros cantados pela Bíblia, os cedros que os homens de Sidon cortaram para que o rei Salomão erguesse seu templo, essas árvores de Deus com as quais se construíram palácios, edifícios, naus de gregos e egípcios, quase não são mais vistos nesta paisagem levantina.

Durante o domínio otomano, os turcos fizeram de seus troncos dormentes para o trem de Hedjaz. Restam apenas três ou quatro centenas dessas árvores que foram o símbolo glorioso do Líbano e cuja silhueta adorna e identifica, entre todas as bandeiras, a deste pequeno país. Dois têm gravados em seus troncos os nomes de Lamartine e de sua filha Júlia, quando o romântico escritor francês visitou o Oriente. Os agricultores, os rebanhos de cabras, os incêndios, as guerras, as avalanches da neve que cobre seus cumes até o verão, fizeram estragos nas antigas florestas. Há somente 2 mil hectares de cedros no Líbano. Seriam necessários 3 milhões dessas elegantes coníferas para que sua paisagem voltasse a ser como a descrita pela Bíblia.

A quase 2 mil metros acima do nível do mar, à beira da estrada, o bosque de Becharre é rodeado por um muro de pedra que a rainha Vitória da Inglaterra mandou construir. O patriarca maronita, sob cuja proteção vivem os cedros, mandou publicar há dois séculos um decreto condenando à excomunhão os que cortassem as árvores sagradas. Em agosto é tradicional celebrar no meio do bosque em uma capela do padre de Becharre, que hoje é o padre Rahme, que morou na América Latina e fala bem o castelhano, uma missa solene neste barroco e sério rito oriental diante da congregação local. Depois da independência libanesa, a República quer protegê-los como seu maior tesouro e símbolo nacional.

Já não há caçadores nem rebanhos, nem combatentes desalmados que se irritem com essas grandes árvores. Os soldados de um quartel vizinho vigiam as novas plantações ao redor do imortal e vulnerável bosque. Há mais de meio século o poeta catalão Josep Carner, então cônsul em Beirute, defendeu em um de seus preciosos artigos em "La Publicitat" uma "nova ordem de cavalaria" que estivesse sempre a serviço dos cedros.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

IEA: Interfaith Encounter Association


IEA: Interfaith Encounter Association

Coordinator Sought for a Jewish/Interfaith Project
CLICK HERE IF INTERESTED


Adama Interfaith Encounter
Heart and Soul Broadcast on BBC

CLICK HERE TO LISTEN to the BBC World Service program and learn how the process of IEA groups transforms the attitudes of its participants.

Please note:
This program is the property of Heart and Soul at the BBC World Service
and is re-broadcast on this website for personal use only.


Pai Nosso em aramaico e hebraico

Pai-nosso em aramaico e hebraico
Primeiro recitado em aramaico e depois em hebraico. Prece pelas crianças do mundo, que são o futuro da humanidade e ...

domingo, 29 de junho de 2008

O pecado e as religiões (Paulo Coelho)


Cristianismo: o jogo de xadrez O jovem disse ao abade do mosteiro: — Bem que eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida. Tudo que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, que não serve para iluminação. Além do mais, aprendi que qualquer jogo é um pecado.

— Pode ser um pecado, mas também pode ser uma diversão, e quem sabe este mosteiro não está precisando de um pouco de ambos? — foi a resposta.

O abade pediu um tabuleiro de xadrez, chamou um monge, e mandou-o jogar com o rapaz.

Mas antes de a partida começar, acrescentou: — Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todo mundo fique jogando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui. Se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro, e abrirá uma vaga para você.

O abade falava sério. O rapaz sentiu que jogava por sua vida, e suou frio. O tabuleiro tornou-se o centro do mundo.

O monge começou a perder. O rapaz atacou, mas então viu o olhar de santidade do outro. A partir desse momento, começou a jogar errado de propósito.

Afinal de contas, preferia perder, porque o monge podia ser mais útil ao mundo. De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão.

— Você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram — disse. — Concentrou-se o suficiente para vencer, foi capaz de lutar pelo que desejava. Em seguida, teve compaixão e disposição para sacrificar-se em nome de uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque sabe equilibrar a disciplina com a misericórdia.


Judaísmo: perdoando no mesmo espírito O rabi Nahum de Chernobyl vivia sendo ofendido por um comerciante. Um dia, os negócios deste último começaram a andar muito mal. “Deve ser o rabino, que está pedindo vingança a Deus”, pensou. E foi pedir desculpas a Nahum.

— Eu o perdôo com o mesmo espírito que você me pede — respondeu o rabino.

Mas as perdas do homem cresceram cada vez mais, até que ele ficou reduzido à miséria. Os discípulos de Nahum, horrorizados, foram perguntar o que tinha acontecido.

— Eu o perdoei, mas ele continuou me odiando no fundo de seu coração — disse o rabino. — Então, seu ódio contaminou tudo que fazia, e a punição de Deus tornou-se ainda mais severa.


Islã: onde está Deus Numa pequena aldeia do Marrocos, um imã contemplava o único poço de toda a região. Um outro muçulmano aproximou-se: — O que tem lá dentro? — Deus está escondido aí.

— Deus está escondido dentro deste poço? Isso é pecado! O que você está vendo deve ser uma imagem deixada pelos infiéis! O imã pediu que se aproximasse e se debruçasse na borda. Refletido na água, ele pôde ver o seu próprio rosto.

— Mas este sou eu! — Isso mesmo. Agora você sabe onde Deus está escondido.

Extraído de:
Revista O Globo, ano 4, número 205, página 47, em 29/06/2008.

História da Língua Hebraica

Veja mais:

sábado, 28 de junho de 2008

Introduction to the Bible

Introduction to the Bible
Dawes, Gregory W.
Collegeville, Minn.: Liturgical Press, 2007
Description:
When we first pick it up and open it, the Bible can seem confusing and perhaps even frightening. Here is this bulky book, made up of seventy-three sections with unfamiliar titles such as Deuteronomy, Ecclesiastes, Colossians, and Corinthians, with numbers in front of almost every sentence, rarely any pictures, and perhaps a few maps of ancient areas such as Mesopotamia, Assyria, and Judah. Since the Bible looks like a book, we may start to read it as we would any other book, hoping to move from cover to cover. Then we begin to wonder, “Who wrote this? When was it written? What kind of writing is this: History? Science? Biography? Fiction? What am I supposed to get out of it?” As (or if) we keep reading the Bible page by page, section by section, we soon realize that this is no ordinary run-of-the-bookshelf volume. Without a guide the Bible is likely to remain the book most often purchased but not very often read and even less often understood. To rescue Bible readers and students from turning their initial enthusiasm into boredom, Gregory Dawes gives us this Introduction to the Bible, the indispensable prologue to the entire series of the New Collegeville Bible Commentary. Dividing the contents into two parts, the author first describes how the Old and New Testaments came to be put together, and then explores how their stories have been interpreted over the centuries. In the words of Dawes, this “very broad overview of a very complex history offers the general reader a helpful framework within which to begin to understand the Bible.” The author writes clearly, frequently seasoning his explanations with crisp examples. This book anchors individual and group Bible study on the solid foundation of basic biblical vocabulary and concepts.
Subjects: Bible, Hebrew Bible / Old Testament, Literature

Review by Randall L. McKinion
Read the Review
Published 6/21/2008
Citation:
Randall L. McKinion, review of Gregory W. Dawes, Introduction to the Bible, Review of Biblical Literature [http://www.bookreviews.org] (2008).



quarta-feira, 25 de junho de 2008

Trilha de quatro dias ao norte de Israel segue passos de Jesus

LAURIE COPANS
da Associated Press, em Israel
FSP online, Turismo, em 10/06/2008.

Uma trilha difícil começa por entre a estrada que sai de um local sagrado repleto de ônibus no mar da Galiléia, indo parar num monte coberto de aveia selvagem e espinhos.

Todos os anos, milhares de peregrinos visitam a igreja de pedra em Tabgha e outros santuários celebrando os milagres de Jesus. Mas poucos se aventuram além das multidões até o cenário em que Jesus caminhou na Galiléia. Aqueles que o fazem encontram silêncio e conforto nos montes de pedras e nas sobras das oliveiras que cobrem as planícies.

Um projeto privado israelense está realizando caminhadas de 65 km pela região onde Jesus ministrou seus ensinamentos. A Trilha de Jesus espera levar milhares de turistas a seguir seus passos e ouvir os cantos dos pássaros, sentir o aroma do dill e refletir ao longo do caminho.


Como a trilha ainda não está demarcada, os viajantes têm de contratar um guia, baixar as coordenadas de GPS pelo site Jesustrail.com ou adquirir mapas em sites turísticos.


O caminho pode ser percorrido em quatro dias. O peregrino tem a opção de se hospedar em um kibutz ou uma residência árabe, ou ainda levar uma barraca e acampar.


"Acima de tudo, acho que a trilha mostra a natureza humana de Jesus, quando a Bíblia fala dele tornando-se carne e vivendo entre as pessoas", considera David Landis, norte-americano que tem ajudado a demarcar o caminho.


"Você fica mais reflexivo, meditativo, pensando na sua relação com Jesus durante a caminhada", diz o pastor David Hughes. "Quanto mais íntimo você fica dessa terra, mais íntima ela fica de você, dos aromas, dos sentimentos e das montanhas."


O Ministério do Turismo de Israel afirma que também está projetando uma demarcação da trilha. Outra iniciativa, da Universidade de Harvard (The Abraham Path, ou A Trilha de Abraão), pretende promover os caminhos do profeta Abraão, em um total de mais de 1.200 km, da Turquia até seu túmulo, em Hebron.

Veja mais:

domingo, 22 de junho de 2008

The Aramaic Language

Bereshit: an easy-Hebrew newspaper for beginners. Jerusalém: Israel, Número 19, em 17/06/2008, página 7.

Como os princípios judaico-cristãos podem unir os EUA?

Anne-Marie Slaughter e Tod Lindberg*
International Herald Tribune, em 22/06/2008.

Falando ao país na noite em que assegurou a indicação democrata, Barack Obama rejeitou o tipo de política que "usa religião como uma cunha e patriotismo como uma clava". Suas palavras acentuam a forma como a fé novamente se tornou uma força divisora na política americana.

Com um foco intenso em pregadores controversos e em casos onde a doutrina religiosa parece dividir os eleitores, mais notadamente nas questões de aborto e homossexualidade, nós perdemos de vista as formas com que o retorno aos valores fundadores dos Estados Unidos -incluindo a fé- podem novamente nos unir diante de problemas comuns.

Os fundadores dos Estados Unidos acreditavam que a fé religiosa era compatível com outros valores estimados: liberdade, democracia, justiça, igualdade, tolerância e humildade.

De fato, humildade e fé caminhavam de mãos dadas; homens como George Washington e Thomas Jefferson eram altamente conscientes de seu pequeno papel no mundo diante de uma força maior. E com a mesma freqüência com que políticos invocam o discurso "cidade na colina" do governador Winthrop aos puritanos, eles esquecem a última frase de Winthrop: faça justiça, ame a piedade e caminhe humildemente com seu Deus.

Para muitas pessoas de fé naquela época e agora, a justiça terrena era e é apenas uma imitação pálida da justiça divina. Mas de fato é uma imitação, no sentido mais sincero. A revelação divina vem com um código de conduta para a vida terrena.

Algumas pessoas de fé cristã tentam entender o que devem fazer se fazendo a pergunta: "O que Jesus faria?" Esta não é necessariamente uma abordagem ruim, mas não é o que temos aqui. A tradição judaico-cristã que serve de base e inspira a experiência americana ensina a virtude da participação em uma comunidade de mentalidade semelhante de boa vontade, uma que estende a oferta de participação a outros dispostos a agir de acordo com seus princípios.

Mas quais são esses princípios? Nós devemos nos preocupar não apenas com nós mesmos, mas com os outros. Nós devemos oferecer ajuda aos menos afortunados. Nós não devemos ser tão impiedosos em nossos julgamentos a ponto de ignorarmos nossas próprias falhas, que temos que nos esforçar para consertar.

Nós devemos tratar os outros da forma como desejamos ser tratados se estivéssemos no lugar deles. Nós devemos considerar o valor que damos a nossas próprias vidas como sendo o valor das vidas dos outros em nossa comunidade. Nós devemos estar dispostos a fazer sacrifícios pessoais em prol do bem desta comunidade de boa vontade e da extensão dos benefícios que proporciona aos outros.

Estes temas são recorrentes em algumas das passagens mais profundas do Velho e Novo Testamento. O fato do primeiro capítulo do Gênesis descrever os seres humanos como tendo sido criados à imagem de Deus há muito é visto como impondo obrigações às pessoas, não apenas em relação ao seu criador, mas também em relação ao próximo.

Nós precisamos reconhecer as formas com que o cristianismo e outras tradições religiosas apóiam ou mesmo governam estes princípios modernos de liberdade, justiça, tolerância e igualdade. Estes valores são as fundações de uma sociedade baseada na busca do bem comum para todos os membros da comunidade - tanto amigos quanto estranhos.

As pessoas religiosas podem agir de acordo com estes princípios pelo desejo de uma recompensa celestial (ou temor de punição divina). Mas também há recompensa neste mundo quando as pessoas agem de acordo com estes princípios. É o estabelecimento de sociedades e instituições políticas baseadas não no princípio de que o forte deve mandar no fraco em benefício do forte, mas no respeito que as pessoas têm pelo próximo quando reconhecem os direitos do outros e as obrigações em relação aos outros que os acompanham.

Um aspecto da genialidade destes arranjos é que eles estendem uma mão de boas-vindas para aqueles de tradições religiosas diferentes ou de nenhuma para se juntarem à comunidade de boa-vontade, o que não exige a adoção da tradição religiosa da qual deriva, mas sim a aceitação das obrigações em relação ao próximo.

Este entendimento da fé unifica em vez de dividir. Ele abre espaço para aqueles de muitas fés e para aqueles de nenhuma fé se unirem em torno de princípios morais de conduta tanto em casa quanto no exterior. Estes princípios não são generalizações abstratas, mas apontam para certas posições muito específicas de política externa. Eles exigem, por exemplo, que os Estados Unidos façam tudo o que puderem para impedir a matança em Darfur -o deslocamento, estupro e massacre de seres humanos por forças apoiadas pelo seu próprio governo.

Eles exigem um esforço determinado e incansável para buscar um mundo sem armas nucleares, livre da possibilidade horrível da incineração de milhões de seres humanos em um ataque nuclear.

E eles exigem uma reação à possibilidade de uma elevação do nível dos mares inundar ilhas e países do outro lado do mundo como sendo um problema em comum, da mesma forma como aceitamos nossa responsabilidade pelo mundo que poderemos legar aos nossos próprios filhos.

Nem sempre será fácil agir com base nestes princípios. Eles às vezes entram em conflito com outras considerações importantes em um mundo onde o poder político continua sendo um fato da vida.

Mas nós nunca devemos abandoná-los, e nunca devemos nos perguntar quão pouco precisamos fazer visando dizer que agimos de acordo com eles ou os levamos em consideração. Em vez disso, nós devemos nos perguntar quão mais podemos fazer. Enquanto existir uma lacuna entre o que fizemos e o que permanece possível, nós devemos agir para preenchê-la.

As pessoas também continuarão discordando em torno dos melhores métodos para buscar estes princípios, em termo de políticas, personalidade e partido político. Nós mesmos não votaremos nos mesmos candidatos em novembro.

A história do mundo está repleta de assassinatos inspirados pela fé; assim como nossa atual política americana freqüentemente coloca os devotos de uma fé contra os de outra em um combate menos sangrento, mas não menos ardoroso. Nós todos já ouvimos retóricas divisoras vindas do púlpito e não podemos deixar de notar a arrogância que freqüentemente parece estar por trás delas, em vez da humildade apropriada.

Mas este certamente não é o único tipo de fé. A fé de nossos fundadores, e a genialidade do sistema que a fé deles ajudou a inspirar, pode também elaborar uma política de propósito moral comum. Está aberto a todos nós escolher qual é o melhor caminho.

*Anne-Marie Slaughter é reitora da Escola Woodrow Wilson da Universidade de Princeton e autora de "The Idea that is America: Keeping Faith with Our Values in a Dangerous World". Tod Lindberg é editor da "Policy Review" e autor de "The Political Teachings of Jesus".

Tradução: George El Khouri Andolfato

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pão trançado judaico é cercado de rituais e simbolismos; veja receita

VIVIAN RETZ
Editora de Multimídia da Folha Online, em 20/06/2008.

O modo de trançar é o segredo da challah. O pão judaico, que se pronuncia "ralá", é consumido durante cerimônia realizada no dia do descanso semanal sagrado, às sextas-feiras, após o pôr-do-sol. Veja vídeo com modo de preparo.

A culinária judaica é assim, sempre acompanhada de rituais. Não se deve, por exemplo, misturar leite e carne. Essa tradição é baseada na lei de Moisés que diz: "não comer o bezerro no leite da mãe".

Também só podem ser consumidos animais de quatro patas e que tenham casco fendido. Acredita-se que o casco que o separa da terra demonstra que sua ligação com o chão onde pisa não é demasiada. Assim, gados e carneiros estão liberados para os judeus.

A chef Simone Chevis ensina a receita do pão tradicional, de preparo rápido e fácil. No entanto, a forma de trançá-lo exige um pouco de prática.

O leite não faz parte dos ingredientes, pois isso impediria o consumo com carnes, servidas nas cerimônias do Shabat. "A challah é um pão simbólico do povo judeu que consumimos na sexta-feira, à noite, durante o Shabat. É uma cerimônia religiosa que marca o final da semana e o início do dia do descanso. Na Bíblia, conta-se que Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo ele descansou", explica a chef.

O ritual começa com as velas, que devem ser acesas pelas mulheres. No jantar, o pão deve ser cortado com as mãos e distribuído entre os presentes.

Challah
Rendimento: 2 pães

Ingredientes
- 1 pacote de fermento seco biológico ou 1 colher (sopa)
- 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 5 ovos
- 1/2 xíc. (chá) de óleo
- 1/2 xíc. (chá) de uvas-passas
- 7 a 9 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 e 3/4 xíc. (chá) de água morna
- 1 pitada de sal
- Gergelim para polvilhar

Modo de preparo
Em um refratário, coloque a água morna, o fermento e o açúcar. Misture com a mão ou com uma espátula. Junte uma pitada de sal, quatro ovos (em temperatura ambiente) e o óleo. Adicione a farinha aos poucos. Coloque as uvas-passas quando a mistura estiver quase a ponto de soltar das mãos. Deixe a massa crescer por cerca de uma hora em um recipiente untado com óleo. Divida a massa em seis pedaços, molde-os e depois basta trançá-los (veja como fazer). Leve ao forno (180ºC) por 30 minutos.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Santas e sedutoras: as heroínas na Bíblia hebraica - a mulher entre as narrativas bíblicas e a literatura patrística

Santas e sedutoras: as heroínas na Bíblia hebraica - a mulher entre as narrativas bíblicas e a literatura patrística
Autor:
Eliézer Serra Braga
Dissertação de Mestrado em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas (USP)
Data de defesa:
15/02/2008
Orientadora: Ruth Leftel
Resumo: O objetivo desta dissertação é a análise, por meio de abordagem sócio-literária, da caracterização que a Bíblia Hebraica faz de três mulheres, ou grupos de mulheres, personagens de suas narrativas. Procurar-se-á entender seu comportamento sexual e sua moralidade em contraste com as exigências feitas sobre a mulher em partes desta mesma Bíblia, considerando-se a importância da mulher para as tradições da formação de Israel. Procurar-se-á também estabelecer algum contraste, ainda que superficialmente, entre o julgamento que faz o narrador bíblico quanto ao comportamento pouco ortodoxo destas mulheres e os pressupostos do judaísmo rabínico e dos primeiros pensadores do cristianismo e sua interpretação quanto a este tipo de comportamento feminino. Serão elas, as Filhas de Ló e sua relação incestuosa, Tamar, nora de Judá e sua prostituição, e a saga de Noemi e Rute no episódio da sedução de Boaz. A Bíblia Hebraica é a principal fonte de inspiração para as três religiões mais influentes e de maior capacidade de expansão no mundo desde o século II da E.C. (Era Comum). A formação sócio-cultural de grande parte do oriente e de todo o ocidente encontrou seus fundamentos nelas, as quais são: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Considerando-se a importância do comportamento social feminino para tais religiões, será importante procurar entender o que a Bíblia Hebraica tem a dizer sobre quais devam ser os valores que o fundamentam. As atitudes sociais são profundamente influenciadas pela maneira como se concebe a divindade. Sendo assim, torna-se extremamente relevante para o ocidente cristão, entender como, especialmente o judaísmo e o cristianismo, 6 interpretaram os textos bíblicos no que concerne às mulheres presentes nas narrativas bíblicas, para que se possa eliminar as diferenças e injustiças motivadas por interpretações religiosas equivocadas. Ao levar-se em consideração o notável "androcentrismo" dos autores, revisores e editores bíblicos, que segundo alguns críticos foi uma das marcas que caracterizaram sua religiosidade, determinando a forma como escreveram seus textos, e considerando-se ainda a misoginia na forma como ela se apresenta na arte da interpretação dos textos bíblicos até recentemente, é importante descobrir se a religiosidade cristã ocidental não está equivocadamente apoiada sobre fundamentos preconceituosos disfarçados de conceitos religiosos atribuídos à revelação divina, graças a interpretações até mesmo interessadas das intenções dos autores bíblicos com respeito à mulher.

O pão da dor e o vinho da miséria": o banquete da existência, de Jó a Bras Cubas

O pão da dor e o vinho da miséria": o banquete da existência, de Jó a Bras Cubas
Autor:
Claudinei Maria
Dissertação de Mestrado em Teoria Critica e Literária (UNICAMP)
Orientadora:
Vera Maria Chalmers
Data de defesa: 16/02/2007
Resumo: Este trabalho é uma leitura das Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, sob a perspectiva bíblica, sem, necessariamente, fazer um exaustivo inventário das citações da Bíblia na obra machadiana, mas procurando encontrar um fio condutor na narrativa que justificaria, por exemplo, a presença do hipopótamo o capítulo VII, "O delírio", e as "rabugens de pessimismo" do autor, a partir dos livros de Jó e Eclesiastes.

E ele será chamado pelo nome de Emanuel: o narrador e Jesus Cristo no evangelho de Mateus

E ele será chamado pelo nome de Emanuel: o narrador e Jesus Cristo no evangelho de Mateus
Autor:
João Cesario Leonel Ferreira
Tese de Doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Orientadora:
Suzi Frankl Sperber
Data de defesa: 13/03/2006
Resumo: Esta tese tem como objetivo principal o estudo do narrador no evangelho de Mateus e de sua relação com o protagonista Jesus Cristo. Central em todo o trabalho é a constatação de que o narrador configura o texto de modo a produzir nos leitores a consciência de que a narrativa se refere não apenas a um personagem da história passada, mas a Jesus Cristo vivo. Este exerce a função de orientar a compreensão do texto. Para tanto, o narrador coloca-se em segundo plano e desenvolve técnicas para que o personagem principal ocupe espaço de proeminência. A minimização da presença do narrador, antes de se transformar em debilidade textual, produz abertura do texto ao leitor. Desse modo, as estratégias estabelecidas visam atrair o leitor para que participe da trama. Para chegar a tais conclusões, o trabalho discute variadas formas interpretativas pela quais o evangelho de Mateus é estudado na atualidade. Define o gênero literário ao qual pertence o evangelho como biografia greco-romana. Identifica o narrador, seu foco narrativo e a forma como organiza o evangelho em blocos narrativos e discursivos a partir da fonte principal, o evangelho de Marcos. Por fim, explicita estratégias literárias através da comparação exaustiva entre textos de Mateus e Marcos, demonstrando como elas apontam para propósitos retóricos específicos que o narrador deseja gerar nos leitores. O canal de discussão com biblistas esteve aberto, em alguns momentos utilizando interpretações e pontos de vistas, e em outros discordando de suas colocações. A principal delas diz respeito à declaração de que o evangelho apresenta um caráter catequético e desprovido de brilho. Em oposição, afirma-se que o evangelho de Mateus possui estratégias narrativas que o tornam extremamente persuasivo aos leitores. Torna-se claro que a desconsideração dos elementos de análise descritos no trabalho produz conseqüências nocivas à interpretação do texto bíblico.

Veja mais:

The Bible and the Historian
Breaking the Silence About God In Biblical Studies
Author:
Paul Minear
Publisher: Abingdon Press (2002)
View Table of Contents

Description: This book is Prof. Minear’s clarion for a return to authentic biblical theology. After more than fifty years of teaching and research, his message is still simple: biblical theology must pay attention to the emphases of the biblical writers. Contemporary biblical scholars, often best trained as historians, tend to dismiss those elements of the Bible most relevant to the faith of ancient and contemporary Christians. This book introduces contemporary students again to a study of the Bible with God at its heart.

"Paul S. Minear provokes readers of the New Testament to attend to the utter confidence with which its pages speak of God and God’s doings. In a book that ranges from Matthew to Revelation and from J. S. Bach to Jacques Ellul, Minear’s insights are both classic and astonishing. A volume to be both welcomed and read.” --Beverly Roberts Gaventa, Princeton Theological Seminary

“Paul Minear's work, too little known to recent students, was a major influence that drew me into the field of New Testament studies. These subtly crafted essays press us to reckon with the New Testament writers' claim to speak about a God who transcends modernist ways of knowing. Minear's far-seeing readings beckon us to peer into the mystery to which the texts point. In short, Minear raises the art of New Testament criticism into the practice of prophecy. The publication of this book is an event to be celebrated by all who cherish theological interpretation of the New Testament.” --Richard B. Hays, The Divinity School, Duke University

"Minear goes directly to the biblical texts, and by deftly exploring their ways of talking about things like peace, death or "the heavens," lets their language invite the reader to be grasped by the extraordinary reality of which they speak. These jargon-free essays do more than express an aesthetic appreciation of the New Testament's distinct language; they exemplify a way of reading scripture that can stimulate the imagination, challenge the moral will and deepen understanding. For thirsting spirits, an oasis." --Leander E. Keck, Yale Divinity School

Estudos Literários Aplicados à Bíblia: dificuldades e contribuições para a construção de uma relação

Estudos Literários Aplicados à Bíblia: dificuldades e contribuições para a construção de uma relação
Autor:
Joao Cesario Leonel Ferreira
Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, SP; mestre em Ciências da Religião com concentração em Bíblia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP); doutor em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é professor no Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas e no Instituto Presbiteriano Mackenzie, SP.

Leia mais:

A Bíblia, uma janela para o mundo bíblico

A Bíblia, uma janela para o mundo bíblico

O site é idealizado e construído por Luiz da Rosa, Bacharel em Teologia pelo Instituto Teológico Franciscano de Jerusalém e mestre em exegese pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. O conteúdo, porém, é fruto da contribuição de vários biblistas que enviam artigos e reflexões. Os textos, portanto, não têm uma linha uniforme, mas refletem as idéias dos respectivos autores.

Jerusalém pertence a quem? (lançamento de livro)


Lançamento do livro Jerusalém pertence a quem? – Análise do conflito israelense-palestino à luz do Direito Talmúdico, do Direito Islâmico e do Direito Internacional Público, no dia 27 de junho de 2008, às 19 horas, na Livraria Cultura (Paço Alfândega, Recife Antigo).


Haverá palestra e debate, com a participação do Prof. Dr. Michel Zaidan (CFCH/UFPE) e a Profa. Dra. Ângela Calábria (FDR/UFPE), tendo como mediador o jornalista Homero Fonseca (Revista Continente Multicultural), além de representantes das comunidades judaica e islâmica.

sábado, 14 de junho de 2008

Shavuot: The converts' holiday

The converts' holiday

By Avraham Burg
Haaretz, em 10/06/2008.

Shavuot, the holiday of the giving of the Torah, by tradition also marks the birth and death of King David. In memory of David and his Moabite grandmother, on this holiday we read the Book of Ruth, the mother of all converts. This is a beautiful biblical story of the full acceptance of the foreigner-convert and the convert's spirit and involvement in our national identity. Converts were, and still are, a great blessing to the spiritual treasures of Jewish culture. Through them, concepts, values, abilities and traditions renew themselves and become part of the texture of all of our spiritual lives.

If we did not have the safety valve of converts, Judaism would long ago have become a closed sect, steeped in racism and even more arrogant than it already is. "The chosen people" would have become, it its own eyes, "the chosen race," which disparages and fears those who are different.

Conversion is one of the most ancient elements of Jewish culture. Through it, Moses' wife Zipporah and her father Jethro became part of the Jewish people, as did Ruth the Moabite, rabbis, sages and many others, as the ancient sources reveal: "Descendents of Haman studied the Torah in Bnai Brak; descendants of Sisera taught children in Jerusalem; descendants of Sennacherib gave public expositions on the Torah."

Those who are following the present conversion debate have the impression that conversion has become the monopoly of the Orthodox, fighting among themselves like cocks. The ultra-Orthodox are pulling out the feathers of Rabbi Haim Druckman and his supporters, and the other side is pecking at the ultra-Orthodox religious court judges and their backers. And what of the general, secular public? Do they not care who the candidates are who join them and share their fate?

Secular self-doubt has left Israeli identity entirely in the hands of its Orthodox adversaries. Conversion that excludes everything secular and modern totally subverts the intent of the ancient lawmaker. Why demand a convert keep Jewish commandments that Israelis who are Jews by birth are not required to keep? After all, most of us keep entirely different commandments than the official "arrangers" of the institutions of Israeli rabbinic catholicism. Contemporary Israelis are indeed traditional in their behavior, but they eat prohibited foods, do not keep the Sabbath, do not follow the laws of family purity nor a host of other commandments that today typify only the Orthodox minorities.

Why should the general public in Israel not demand responsibility for the processes involved in making converts partners to its destiny? Its commandments involving sovereignty, liberties, human rights, the sanctity of life and the search for peace, empathy for the orphan, the stranger and the widow are much more Jewish and meaningful.

A covert civil protest has already been launched against the Orthodox monopoly over marriage and divorce in Israel. The time has come to start an active civil rebellion against the "identity thug" zealots, to take back responsibility for Israeli identity from closed and backward groups and return it to the free majority. We must return to the biblical heritage of Ruth; first of all: "thy people is my people" and only then, if then, "thy God is my God." From now on, let the holiday of Shavuot be a national holiday honoring converts and conversion, the "other" who enrich us.

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

O renascimento de Matusalém

O Globo, Ciência, página 38, em 13/06/2008.

Semente de dois mil anos achada em Israel germina, dando origem à planta extinta

Um grupo de pesquisadores israelenses conseguiu fazer germinar uma semente de dois mil anos, a mais antiga do mundo. Em 26 meses, ela gerou uma palmeira de 1,50m de altura, que foi batizada de Matusalém — em homenagem à figura bíblica que teria vivido quase mil anos. A partir do seu renascimento, os cientistas esperam poder reproduzir espécies que remontam a tempos ancestrais e que, supostamente, teriam propriedades medicinais importantes.

O anúncio foi feito na revista científica “Science”.

A semente foi encontrada há mais de 40 anos, durante escavações numa fortaleza em Massada, construída pelo rei Herodes, no século I, na zona ocidental do Mar Morto. O local é conhecido por ter abrigado insurgentes judeus que se rebelaram contra o domínio romano em 67 d.C.

A semente que gerou a renascida Matusalém foi mantida em laboratório durante décadas, com a temperatura ambiente controlada. Mas bem antes disso, lembram os cientistas, ela permaneceu enterrada por séculos em meio às ruínas de Massada.

— A região do Mar Morto é extremamente seca e quente — explicou a pesquisadora Sarah Sallon, do Centro Médico Hadassah, em Jerusalém.

— Essa conjunção de fatores certamente ajudou a preservar essa semente.

Bíblia menciona a palmeira
De acordo com os cientistas, análises com radiocarbono confirmaram que essa é a mais antiga semente já trazida de volta à vida. Ela supera o recorde anterior, que pertencia a sementes de lótus que brotaram depois de mil anos.

— Caso a planta seja do gênero feminino, existe a possibilidade de reproduzi-la — disse Sarah, que conduziu o projeto.

A árvore foi semeada pela equipe de Sallon em 19 de janeiro de 2005, o ano novo judaico dedicado às árvores. A sua semente é originária de um tipo de palmeira — a tamareira da Judéia — que, segundo os pesquisadores, era muito comum nas margens do Rio Jordão. A planta foi dada como extinta há muitos séculos.

As análises mostraram que Matusalém compartilha metade dos seus genes com as palmeiras atuais encontradas na região. Se for possível reproduzi-la, ela pode ajudar a restaurar as espécies que formavam densas florestas no local.

Tentativas anteriores de fazer germinar sementes antigas falharam alguns dias após o plantio. Como essa experiência foi bem sucedida, os pesquisadores fizeram o teste de carbono para determinar a idade correta da semente — Inicialmente, não conseguimos quebrar as raízes para fazer a análise de forma adequada — contou Sarah. — Mas quando mudamos a planta para um vaso maior, encontramos fragmentos das sementes nas raízes que permitiram a análise com carbono.

A palmeira é descrita na Bíblia, bem como na literatura antiga, por seus poderes medicinais. A planta era conhecida como elemento de cura para várias enfermidades como o câncer, malária e até mesmo dores de dente.

Para os cristãos a palmeira representa simbolicamente a paz e é associada à entrada de Jesus em Jerusalém. Os antigos hebreus a chamavam de “árvore da vida” devido à proteína de seus frutos e à sombra oferecida por suas folhas compridas.

Preservação de recursos genéticos
Assim que Matusalém crescer mais, os cientistas vão fazer novas análises para verificar se a planta tem, realmente, algum potencial medicinal.

— A história conta que as pessoas pegavam o seu fruto e faziam bebidas que eram indicadas como remédio para várias enfermidades — revelou a pesquisadora.

Segundo Sarah, o fato de a semente se manter viável após tanto tempo pode levar a novas descobertas.

— Essa sua, digamos, habilidade de se manter ativa pode nos ajudar a entender como preservar recursos genéticos no futuro.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Midrash and Context

Midrash and Context: Proceedings of the 2004 and 2005 SBL Consultation on Midrash

Ulmer, Rivka and Lieve M. Teugels, editors
Piscataway, N.J.: Gorgias, 2007

Series Information

Judaism in Context, 5

Description: Co-editors Rivka Ulmer and Lieve Teugels, leading experts on midrash, here present seven groundbreaking essays on rabbinic midrash by a new generation of erudite scholars of rabbinic Judaism and early Christianity. The contributions reflect a deep understanding of the languages and literatures of the Middle East in Late Antiquity, a thorough grounding in the history of research, a judicious application of textual criticism of rabbinic texts, an empathetic encounter with the abiding values conveyed by these texts, and three distinct forms of interdisciplinary scholarship. Five of the seven essays compare, contrast, and mediate between rabbinic and patristic exegesis and elucidate elements of culture shared by these ancient interpreters of Scripture. Another essay applies orality studies and semiotics to the study of the origin, forms, and content of aggadic midrash, especially the ubiquitous and seldom analyzed “prooftext.” The volume concludes with an exposition of the rabbinic sages' familiarity with and utilization of the Egyptian Osiris myth in their homilies and Scriptural exegesis.

Subjects: Bible, Mishnah, Talmudic and Rabbinic Literature, Literature

Review by Alex P. Jassen
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Published 5/31/2008