Pesquisar este blog

Total de visualizações de página

Perfil

Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

Translate

Seguidores

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Jerusalém: a cidade mais importante da história


A revista “Super interessante” (edição 249 – fev/2008) que está nas bancas publica, como reportagem principal (capa), o tema “Jerusalém: a cidade mais importante da história”.

Defesa de Dissertação de Mestrado: O Essenismo como paradigma de identidade judaica

Defesa de Dissertação de Mestrado

Alexandre Bermúdez Bagniewski, O Essenismo como paradigma de identidade judaica, Dissertação de Mestrado, Ciências da Religião, UMESP, 14/02/2008, 10 horas, com Paulo Nogueira (orientador) , Pedro Paulo Funari e Archibald M. Woodruff.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Jesus entre o mito e a história

O “I Seminário Internacional do Jesus Histórico” sediado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ reuniu em outubro de 2007 historiadores, pesquisadores e teólogos para debaterem a historicidade de Jesus e também temas polêmicos e ainda controversos, como o grau de instrução e a ressurreição do líder do Cristianismo.


Judeu freqüentador do templo, que participava de tradições judaicas, como por exemplo a festa pascal, e devoto dos ensinamentos da Torá, texto central do Judaísmo. Camponês, proveniente de Nazaré, localizada na Galiléia Meridional, ao norte da Palestina, terra dominada, a partir de 63 a.C, pelo Império Romano.


São essas as características, comprovadas historicamente, de Jesus de Nazaré, pregador do primeiro século, adorado por quase dois milênios como Cristo, o filho de Deus. Fundador do Cristianismo, a maior crença do mundo, com mais de dois bilhões de adeptos, Jesus não suscita interesse apenas nos círculos religiosos. Também a academia vem se debruçando sobre a análise científica dessa figura, que, a despeito de todos os avanços científicos e tecnológicos verificados na contemporaneidade, permanece arregimentando multidões de fiéis com o discurso da simplicidade e da humildade.


Extraído de:
Jornal da UFRJ

Gabinete do Reitor – Coordenadoria de Comunicação da UFRJ
Serviço de Jornalismo Impresso – Ano 3 - nº 30
Dezembro 2007 - p.16-17.


domingo, 27 de janeiro de 2008

Karen Armstrong faz biografia da Bíblia

No dia 13 de janeiro de 2008 apresentamos algumas resenhas sobre o livro “A Bíblia” de Karen Armstrong. Segue mais uma resenha sobre o livro escrita por Pedro Paulo Farah, professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e autor de "Deleite do Estrangeiro em Tudo o que é Espantoso e Maravilhoso" (BibliASPA).

Folha de São Paulo, Caderno +mais!
(FSP, 27/01/2008)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Interpretaciones helenisticas del pasado de Israel

Interpretaciones helenisticas del pasado de Israel.
Origen:
Portal de revistas científicas complutenses
Autor: FERNÁNDEZ MARCOS, Natalio
Clase: Artículo
Año: 1975
Volumen: 8
Número: VIII
Desde página: 157
Hasta página: 186

Link:
http://www.ucm.es/BUCM/revistas/fll/02100746/articulos/CFCA7575120157A.PDF

Targum: Las versiones arameas de La Biblia hebrea

Texto: Targum: Las versiones arameas de La Biblia hebrea

Autores: Juan José Alarcón Sainz

Localización: Ilu. Revista de ciencias de las religiones. Anejos, ISSN 1138-4972, Nº 7, 2002 (Ejemplar dedicado a: Narraciones bíblicas de la creación), pags. 63-74

http://www.ucm.es/BUCM/revistas/ccr/11354712/articulos/ILUR0202230063A.PDF

Editores

Universidad Complutense: Servicio de Publicaciones (http://www.ucm.es/publicacione...)

Universidad Complutense: Instituto Universitario de Ciencias de las Ciencias de Religiones (http://www.ucm.es/info/iucr/)

El Instituto Universitario de Ciencias de las Religiones es el único instituto de investigación existente en la universidad estatal española dedicado al estudio de las religiones.

Creado en 1993 y aprobado según la LRU en 1998, imparte un Programa de III Ciclo, organiza simposios, ciclos de conferencias, cursos de capacitación del profesorado, encuentros científicos y seminarios de debate.

En el Instituto colabora una treintena de profesores de la Universidad Complutense, pertenecientes a las Facultades de Filología, Geografía e Historia, Filosofía, Ciencias Políticas y Sociología y Psicología.

Investigadores del Consejo Superior de Investigaciones Científicas, de los Institutos de Filología, Filosofía y Estudios Históricos, prestan su colaboración en este Instituto en el Programa de III Ciclo, así como en actividades de investigación. Igualmente, participan periódicamente en su actividad profesores de otras universidades estatales y privadas.

El Instituto publica una revista de periodicidad anual, 'Ilu. Revista de Ciencias de las Religiones, así como monografías y cuadernos.

Sefarad: revista de estudios hebraicos, sefardíes y de Oriente Próximo

Sefarad: revista de estudios hebraicos, sefardíes y de Oriente Próximo
http://sefarad.revistas.csic.es/index.php/sefarad

Sefarad inició su publicación en 1941. Se publica en forma de dos fascículos anuales, con 500 páginas de artículos originales y reseñas de lenguas y culturas de los pueblos del Antiguo Oriente; filología y crítica textual de la Biblia Hebrea y sus versiones antiguas; filología y lingüística de las lenguas hebrea y aramea; historia y cultura de los judíos en España; y lengua y literatura, historia y producción cultural de los sefardíes.

Sefarad facilita el acceso sin restricciones a todo su contenido seis meses después de su publicación. Durante este periodo de embargo, el acceso al texto completo de los artículos está reservado a los suscriptores de la edición impresa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã

As notas da Comissão da Santa Sé para as relações com o judaísmo, de 24 de junho de 1985, § 1, 3 e 4 (Documentation Catholique n.1900, de 21 de junho de 1985, p.733), explicam que é preciso levar em conta “a fé e a vida religiosa do povo judeu, tais como são professadas e vividas ainda hoje”, e que é necessário fazer o “aprendizado dos traços essenciais (através dos quais) os judeus se definem em sua realidade religiosa vivida”.

Outro trabalho de referência é o da PONTIFÍCIA Comissão Bíblica. O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2001.


PONTIFÍCIA Comissão Bíblica. O Povo Judeu e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia Cristã. São Paulo: Paulinas, 2001.


PONTIFICIA COMISIÓN BÍBLICA. El Pueblo Judío y sus Escrituras Sagradas en la Biblia Cristiana.
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_doc_index_sp.htm


Na elaboração deste novo Documento da Igreja, a Pontifícia Comissão Bíblica considerou dois problemas principais: a idéia, possivelmente presunçosa, de que são os cristãos os legítimos herdeiros da Bíblia de Israel, e a questão da apresentação dos judeus e do povo judeu no Novo Testamento, que talvez contribua para criar uma hostilidade em relação aos judeus. Em seu trabalho, a Comissão observou que a renúncia dos cristãos ao Antigo Testamento não poderia ser útil para um relacionamento positivo entre cristãos e judeus, pois lhes seria tirado justamente o fundamento comum. Importante seria renovar o respeito pela interpretação judaica do Antigo Testamento, visando o progresso do diálogo judaico-cristão e a formação interior da consciência cristã. O documento ocupa-se ainda da apresentação dos judeus no Novo Testamento, na qual são examinados os textos "anti-judaicos". Nas palavras do então cardeal Joseph Ratzinger, que assina o prefácio da obra, do esforço dos membros da Comissão em suas discussões, elaborou-se este documento que oferece um importante auxílio para uma questão central da fé cristã e para a tão importante busca de uma renovada compreensão entre cristãos e judeus.


A Interpretação da Bíblia na Igreja (Católica)

A Interpretação da Bíblia na Igreja (Católica)

A interpretação dos textos bíblicos continua a suscitar em nossos dias um vivo interesse e provoca importantes discussões. Elas adquiriram dimensões novas nestes últimos anos. Dado à importância fundamental da Bíblia para a fé cristã, para a vida da Igreja e para as relações dos cristãos com os fiéis das outras religiões, a Pontifícia Comissão Bíblica foi solicitada a se pronunciar a esse respeito.

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html


segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

História da Bíblia

Sugestão de Link: <http://www.ugr.es/~estsemi/hebreo/curso.htm>.

Historia de la Bíblia por Prof. Miguel Pérez Fdez. Universidad de Granada.

Parte I. El libro: 1. Las lenguas de la Bíblia; 2. La escritura en la antigüedad y en la Biblia; 3. Transmisión escrita y transmisión oral; 4. Escuelas y escribas; 5. La escuela y la filología alejandrinas; 6. El libro sagrado.

Parte II. El cânon: 7. El canon bíblico; 8. Historia literaria del cânon; 9. Historia social del cânon; 10. El canon del Nuevo Testamento.

Parte III. El texto: 11. El texto hebreo del Antiguo Testamento; 12. La versión griega de los LXX; 13. Las versiones arameas del AT. Los targumim; 14. El texto griego del NT; 15. Versiones antiguas de la Biblia: AT y NT; 16. Crítica textual del Aantiguo Testamento; 17. Crítica textual del Nuevo Testamento.

Parte IV: La Hermenêutica: 18. La Biblia, intérprete de sí misma; 19. Historia de la hermenéutica judia; 20. Historia de la hermenéutica cristiana.

Leituras sobre o tema Profetismo

BINGEMER, Maria Clara Lucchetti & YUNES, Eliana (Org.). Profetas e profecias. Numa visão interdisciplinar e contemporânea. São Paulo: Loyola; Rio de Janeiro: PUC-Rio. 2002.


BRENNER, Athalya (Org.). Profetas a partir de uma leitura de gênero. Trad. Ricardo Gouveia. São Paulo: Paulinas, 2003. (A Bíblia: uma leitura de gênero).


CARVALHO, Alexandre Galvão (org.). Interação social, reciprocidade e profetismo no mundo antigo. Vitótia da Conquista, BA: Edições Uesb, 2003.


MAZZAROLO, Isidoro. O clamor dos Profetas ao Deus da Justiça e Misericórdia. Rio de Janeiro: Mazzarolo Editor, 2007.


REIMER, Haroldo. Sobre a ética nos profetas bíblicos. IN: Revista Estudos Bíblicos 77. Exigências éticas na Bíblia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. p.29-48.


RIBEIRO, Osvaldo Luiz. Príncipe de Elohim (És) Tu no meio de nós. Pesquisa semântico-fenomenológica do termo Nâsî na Bíblia Hebraica. IN: Revista de Cultura Teológica. São Paulo: INESP/PFTNSA/Paulinas, abr/jun de 2003. Número 43, p.79-117.


SICRE, José Luis. A justiça social nos profetas. Trad. Carlos F.da Silveira. São Paulo: Paulinas, 1990. (Nova Coleção Bíblica).


______. Profetismo em Israel. O Profeta. Os Profetas. A Mensagem. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.


______ (Org.). Os Profetas. São Paulo: Paulinas, 1998. (Resenha bíblica).


SILVA, Airton José da. A voz necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998.


WILSON, Robert R. Profecia e Sociedade no Antigo Israel. Trad. J.Rezende Costa. São Paulo, Paulinas, 1993. 294 p. (Bíblia e sociologia.).


Revistas - Sugestão de Leituras:

Revista Estudos Bíblicos 73. Profetas e Profecias: Novas Leituras. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

Revista Estudos Bíblicos 89. Segundo Isaías (Is 40-55). Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

Revista Estudos Bíblicos 91. Jeremias 37-45. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

Deus também estava lá: exílio na Babilônia

Cf. AUTH, Romi. Deus também estava lá: exílio na Babilônia. São Paulo: Paulinas, 2002. p.57-58. (Visão global, 8).


O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.E.C., Israel não conhecerá mais a independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.E.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, O reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.E.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia.

Tanto os que permaneceram em Judá como os que partiram para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o culto, a monarquia, a classe sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

Os escritos que surgiram em Judá no período do exfiio revelam a intensidade do sofrimento e da desolação que o povo viveu. São os livros de: Lamentações, Jeremías e Abdias. Os exilados na Babilônia igualmente recordaram na dor o que viveram: “A beira dos canais de Babilônia nos sentamos, e choramos com saudades de Sião; nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções, nossos raptores queriam alegria: ‘Cantai-nos um canto de Sião!’ Como poderíamos cantar um canto do Senhor numa terra estrangeira?” (SI 137).

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram, como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Novo Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado (Ez 48). De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente. Ciro será, de fato, o “ungido”, o salvador do povo de Judá e dos exilados? É o que veremos no próximo estudo.


Sugestão de Link:

GARIJO, José Alberto. El exilio y la época persa.
Disponível em:
<
http://www.auladebiblia.com/hi/tema7.html>.


Sugestão de Leitura:

GASS, Ildo Bohn (org.). Introdução à Bíblia 5. Exílio Babilônico e Dominação Persa. Centro de Estudos Bíblico: São Leopoldo, RS; São Paulo: Paulus, 2004. v.5.

O Reino de Judá

Sugestão de Link:

GARIJO, José Alberto. El reino de Judá.
Disponível em:
<
http://www.auladebiblia.com/hi/tema6.html>.


Sugestão de Leituras:

KRAMER, Pedro. Origem e legislação do Deuteronômio. Programa de uma sociedade sem empobrecidos e excluídos. São Paulo: Paulinas, 2006.

Revista Estudos Bíblicos 88. Obra Histórica Deuteronomista. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

Em busca da vida, o povo muda a história: Reino de Judá (aprox. 931-587/6 a.E.C.)

Cf. SOARES, Paulo Sérgio. Em busca da vida, o povo muda a história: Reino de Judá (aprox. 931-587/6 a.E.C.). São Paulo: Paulinas, 2002. p.61-63. (Visão global, 7).


Percorrendo a caminhada do Reino de Judá, nos seus 345 anos de existência, pudemos perceber alguns pontos marcantes. O que mais nos chamou a atenção foi o dano que causou ao povo a sacralização do poder, de um lado, e a manipulação da religião, de outro. Fiado em suas instituições, que gozavam da bênção e proteção do Senhor, o povo de Judá e seus líderes se desviaram a passos largos do projeto inicial proposto por Deus para seu povo.

Percebemos também que, quando o ritualismo toma o lugar da sinceridade do coração no culto a Deus, o resultado é a desvirtuação do sentido do próprio culto. Este passa a ser uma espécie de “máscara” que se coloca somente quando se vai prestar culto. No dia-a-dia, na vida real, aparece a verdadeira face. O ritualismo acentuado faz também o povo esquecer as exigências éticas da própria religião. Sem praticar a justiça, resumo de todas as exigências possíveis nas relações entre os membros da sociedade, o povo e seus líderes foram transformando a religião numa ideologia legitimadora do poder opressor, o culto numa bajulação da divindade, o Templo num fetiche com poderes mágicos. O próprio Deus ficou reduzido a um ídolo, um baal a mais.

Os reis de Judá, por via de regra, usufrufram desse sistema que unia a Religião e o Estado, com maior ou menor manipulação da boa-fé do povo. Alguns se esforçaram por melhorar as coisas, promovendo algumas reformas. Mas, como toda reforma nunca mexe no que é essencial (as estruturas), o esforço foi inútil para evitar a catástrofe nacional.

As lições que podemos tirar da história de Judá são muitas. Neste estudo procuramos ressaltar a relação entre o Estado, representado pelo rei, e a Religião, representada pelo Templo. A monarquia nascera em Israel já marcada pela dicotomia: o Senhor era o único rei, mas o povo queria um rei terreno. O rei estava entre o Senhor e o povo, mas não poderia se arvorar em único intermediário e intérprete da vontade divina. Teria de se submeter à voz crítica dos profetas. Seria o guardião da religião, enquanto zelador dos preceitos emanados por Deus, mas estaria submisso a eles, nunca acima deles.

Pelo visto, nenhum rei em Judá chegou a realizar a síntese perfeita entre essas dicotomias. De um modo ou de outro, todos eles, mesmo os bons reformadores, como Ezequias e Josias, viveram a relação do Estado com a religião como um “casamento em regime de comunhão total de bens”, mas com os papéis bem definidos: os “bens” ficam com o “marido” (o Estado). Os “bens” são o povo, a nação, tudo o que ele tem e produz. O Estado se utiliza do trabalho da “esposa” (a Religião), para legitimar o seu domínio e a posse dos “bens”.

Neutralizando, pois, as exigências éticas da religião javista, o Estado monárquico de Judá aniquilou a única possibilidade de construir uma sociedade segundo o projeto do Deus da vida, baseada na justiça. O destino de uma sociedade sem ética é a destruição total, para dano de todos, rei e povo. Foi o que mostrou, infelizmente, a experiência de Judá.

O Reino de Israel

Sugestão de Links:

GARIJO, José Alberto. El reino de Israel.
Disponível em:
<
http://www.auladebiblia.com/hi/tema5.html>.


LEITE, Edgar.
Amós e a emergência do universalismo profético judaico.
Disponível em:
<http://edleitecastro.sites.uol.com.br/Edgard2.htm>.


Sugestão de Leitura:

SILVA, Aldina da. Amós: um profeta politicamente incorreto. Trad. Magno Vilela. São Paulo: Paulinas, 2001.

Em busca da vida, o povo muda a história: Reino de Israel (aprox. 931-722 a.E.C.)

Cf. SOARES, Paulo Sérgio. Em busca da vida, o povo muda a história: Reino de Israel (aprox. 931-722 a.E.C.). São Paulo: Paulinas, 2002. p.63. (Visão global, 6).


Conclusão: Assim termina a história do reino do Norte, na visão do autor deuteronomista. Sua consideração final sobre a derrocada de Israel encontra-se em 2 Rs 17,7-41. Nos versículos 22-23 ele é taxativo: “Os filhos de Israel imitaram o pecado que Jeroboão cometera e dele não se afastaram, até que finalmente o Senhor baniu Israel de sua presença, como o havia anunciado por intermédio de seus servos, os profetas; deportou Israel para longe de sua terra, para a Assíria, onde está até hoje”. E, em 18,12, arremata: “Isso aconteceu porque eles não escutaram a palavra do Senhor, seu Deus, e violaram sua aliança, não obedecendo a tudo que prescrevera Moisés, servo do Senhor. Não o ouviram nem puseram em prática”.

Contudo, a prática religiosa no reino do Norte, Israel, descentralizada, era mais popular e trazia traços mais autênticos do mosaísmo e do javismo do que a religião do reino do Sul, Judá, centralizada e manipulada teologicamente pela ideologia davídica da corte.

Le Frère Pierre Lenhardt

Le Frère Pierre Lenhardt

E-mail: pmylenhardt@yahoo.fr


Pierre Lenhardt est né le 5 novembre 1927 à Strasbourg. Il a passé son enfance et son adolescence au Maroc. Il a terminé ses études supérieures à Paris à l’Ecole des Hautes Etudes Commerciales (HEC), en 1950. Après des années de vie professionnelle, sa recherche d’un engagement religieux l’a amené à rencontrer la Congrégation des Religieux de Notre-Dame de Sion dans laquelle il est entré en 1962. Il s’y est engagé en 1963, à l’issue d’un noviciat dirigé par le Père Sabia. Sont venues ensuite des études de philosophie, de théologie et de langues anciennes à l’Institut Catholique de Paris, puis des études juives dans le département Talmud de l’Université Hébraïque de Jérusalem, de 1971 à 1976. Il a consacré sa vie à l’étude et à l’enseignement de la Tradition d’Israël et de l’Eglise, il a enseigné aux Instituts Catholiques de Paris et de Lyon, à l’école Biblique de Jérusalem, à l’Institut Kirche und Judentum de Berlin, dans différents séminaires et universités au Brésil et à Rome, et surtout au Centre Chrétien d’Etudes juives, Saint Pierre de Sion (Ratisbonne) , à Jérusalem. Il continue à enseigner, animant des sessions en France, à Jérusalem, au Brésil, pour que les Religieux et Religieuses de Notre Dame de Sion et d’autres chrétiens entreprennent et poursuivent des études au contact d’Israël, de telle sorte qu’ils comprennent toujours mieux la valeur des origines juives de la foi chrétienne et la richesse du patrimoine commun du christianisme et du judaïsme, dans l’esprit du Concile Vatican II.

***

Atualidades
A L’ÉCOUTE D’ISRAEL, EN ÉGLISE
De Sion sort la Torah et de Jérusalem la parole de Dieu (Is. 2)

dernier le livre de Pierre LENHARDT publié par les Éditions Parole et Silence.


Veja ainda sobre o livro

Présentation du livre faite par Pierre Lenhardt lors de la soirée du lancement à l'École Cathédrale le 06 mai 2006


Artigo
La Terre d’Israël, Jérusalem, le Temple: leur valeur pour les juifs et pour les ch rétiens


O alto preço da prosperidade: monarquia unida de Israel (1030-931a.E.C.)

Cf. AUTH, Romi. O alto preço da prosperidade: monarquia unida de Israel (1030-931a.E.C.). São Paulo: Paulinas, 2001. p.57-58. (Visão global, 5).


Conclusão

O final do período da Confederação das Tribos em Israel favoreceu o surgimento da monarquia. Muitas ameaças dos povos vizinhos colocavam em risco a sobrevivência e o espaço territorial das tribos e a produção das tribos mais prósperas. Isso fez com que parte do povo, a exemplo dos demais povos, pedisse um rei a Samuel, o último juiz.

Saul foi o primeiro rei escolhido por Samuel. Fez a transição do sistema de governo tribal para o sistema monárquico. Mesmo assim, não podemos dizer que Saul tenha deixado um Estado burocrático com uma organização estatal centralizada, com um exército permanente, um palácio, um corpo de funcionários estáveis, um santuário com um culto próprio. Nada disso havia. Talvez ele tivesse apenas certa autoridade no recrutamento das tribos, para manter uma tropa defensiva com poderes permanentes. Terminou a vida numa batalha contra os filisteus, no monte Gelboé.

Com Davi, a monarquia tomou um novo impulso. Era hábil político, bem-sucedido em suas campanhas militares, tinha muitas qualidades pessoais que favoreceram sua liderança inicialmente sobre as tribos do Sul e depois sobre as tribos do Norte. Davi conquistou Jerusalém e comprou a colina sobre a qual edificou seu palácio. Constituiu um exército permanente e organizou um Estado burocrático e autônomo, no qual já aparecem funções e listas de funcionários. Em seu reinado, as tribos chegaram ao máximo de sua expansão territorial. Houve muitas disputas na sucessão ao trono de Davi, com a ascensão final de Salomão.

Salomão se tomou conhecido como rei sábio. Aele foram atribuídos muitos livros do Primeiro Testamento. Mas sua sabedoria está ligada à habilidade comercial e polftica, e não ao fato de ter escrito livros. Ele se tornou famoso pela construção do Templo de Jerusalém, onde era celebrado o culto ao Senhor. Mas Salomão foi recriminado por sua infidelidade ao Senhor, pois casou com mulheres estrangeiras que introduziram o culto a outros deuses e desviaram o coração do rei. Já no final do reinado de Salomão aparecem as revoltas sobretudo das tribos do Norte, queieclamam dos pesados impostos. Com sua morte, o reino de fato se dividiu em dois: o reino de Judá, no Sul, com Roboão, e o reino de Israel, no Norte, com Jeroboão.

Alguns profetas são mencionados atuando no período de Saul e Davi. Os maiores destaques são dados ao profeta Samuel, que endossa a transição do regime tribal para a realeza, e ao profeta Natã, que dá o caráter de eleição divina à dinastia davídica. Há também a menção ao profeta Aías de Silo, que apóia a revolta de Jeroboão (l Rs 11,29-30).

domingo, 20 de janeiro de 2008

As famílias se organizam em busca da sobrevivência: período tribal (1220-1030 a.E.C.)

Cf. AUTH, Romi. As famílias se organizam em busca da sobrevivência: período tribal (1220-1030 a.E.C.). São Paulo: Paulinas, 2001. p.53-54. (Visão global, 4).


Conclusão: apesar das dificuldades, o povo descobriu Deus na história

Essas narrativas bíblicas são quase as únicas referências que temos sobre o período tribal. Mas a preocupação dos autores da Bíblia não era contar a história tal qual aconteceu, e sim narrar a presença e a ação de Deus no meio do povo. Por isso, falar sobre esse período é muito difícil, porque na fase inicial da história do povo de Israel o uso da linguagem escrita era extremamente restrito. Quase todos os documentos escritos são muito posteriores ao período tribal. Além disso, são fruto de uma fusão de muitas tradições orais de épocas, contextos e grupos humanos diferentes. O importante para nós não é saber se os fatos aconteceram assim mesmo, mas descobrir a presença de Deus nas lutas do dia-a-dia, como fez o povo de Israel.

No período de 1220 a 1010 a.E.C., as tradições do passado de Israel eram contadas sobretudo por meio da tradição oral. Conhecemos poucas narrativas que teriam sido escritas nessa época. De uma forma geral, esse período ainda faz parte das tradições orais. O povo passou adiante, de geração em geração, as histórias que eram contadas e, muito mais tarde, registradas e unificadas em uma só história familiar.

Começam com a história de Abraão e seus descendentes (Isaac, Jacó, José e seus 11 irmãos), dos quais teriam nascido as 12 tribos de Israel. Todavia, de fato, muitos grupos de origens, situações e contextos diferentes integraram as tribos e receberam nomes segundo os lugares nos quais se estabeleceram. A uniformidade com que Josué apresenta o assentamento dos grupos não parece corresponder aos fatos.

Há muitas dificuldades para precisar o período histórico das tribos de Israel; a Bíblia e a maioria dos estudiosos o situam nos séculos XII e XI a.E.C., no período pré-monárquico. O importante, porém, é a leitura que o povo da Bíblia fez de sua história, apesar da dificuldade de compreender alguns textos.

Não há dúvidas sobre a existência de grupos marginalizados que se uniram e foram para as montanhas pr volta de 1300 a.E.C.; ali receberam diferentes nomes e são identificados com as 12 tribos de Israel. Estas eram governadas pelos juízes suscitados no meio dos grupos, para sua autodefesa, sobretudo nos momentos de perigo. Os grupos tentavam construir um estilo de governo mais democrático e comunitário, em contraste com o sistema tributário dos reis das cidades-estados e dos faraós do Egito. Infelizmente o sistema de vida tribal sobreviveu por apenas 200 anos. Houve problemas internos — corrupção, ganância e idolatria (lSm 2,12-25) — além de problemas externos, como a ameaça constante dos filisteus na Cisjordânia e dos edomitas, moabitas, amonitas e madianitas na Transjordânia. O motivo mais importante que o autor bíblico dá ao fracasso do sistema tribal é a idolatria (Jz 2,2-23; 3,1-6). O fracasso era visto como castigo de Deus por causa da infidelidade à aliança. O Senhor não era mais a única segurança e força para levar adiante o projeto de igualdade e justiça. As tribos sentiram, então, necessidade de buscar segurança em outra forma de governo: a monarquia.

O povo da Bíblia narra suas origens

Cf. AUTH, Romi. O povo da Bíblia narra suas origens. São Paulo: Paulinas, 2001. p.60-61. (Visão global, 3).

No período da formação do povo da Bíblia, não surgiram escritos contemporâneos à história; todos nasceram muito depois e falam sobre o período. É a história dos patriarcas e a experiência da escravidão no Egito. A história dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e de seus 12 filhos é recordada de modo especial em alguns livros (Gn 12-50; 1Cr l-2; Ec1o 44) e referida em toda a Bíblia. A experiência da libertação da escravidão do Egito, sob a ação de Deus, e a caminhada pelo deserto marcaram o povo e são lembradas sobretudo em Êxodo, Números e Eclesiástico (Ex 1-18; Nm 9-14; 20-25; Eclo 45). Essas experiências perpassam toda a Bíblia.

Do período da formação do povo são conhecidos, também, escritos não bíblicos: as cartas de Tell el-Amarna e a estela de Merneptá. As cartas foram escritas pelos reis das cidades-estados de Canaã e enviadas ao faraó Amenófis IV (ou Akhenaton - 1372-1354 a.E.C.), do Egito. Os reis pediam proteção ao império e reclamavam dos invasores nos seus domínios e de grupos rebeldes, os hapirus. A estela de Merneptá é um monumento em pedra, erguido em homenagem ao faraó Merneptá do Egito (1224-1204 a.E.C.), que mandou escrever nela as vitórias contra os inimigos, entre eles Israel.


Cf. AUTH, Romi. O povo da Bíblia narra suas origens. São Paulo: Paulinas, 2001. p.61. (Visão global, 3).

Conclusão: A apresentação da formação do povo de Israel pela união dos grupos abraâmico, mosaico, sinaítico e dos camponeses oprimidos é uma das formas de começar a contar essa história. Os quatro grupos são os principais, mas não excluem a possibilidade da presença de outros grupos que não foram nomeados neste trabalho e no decorrer da história, mas com certeza contribuíram para a formação do povo.

(...) É possível que os diversos grupos que formaram o povo da Bíblia, por volta de 1250 a.E.C, já fossem conhecidos pelo nome Israel, conforme aparece no monumento de Merneptá. Esses grupos se uniram e se retiraram para as montanhas, começando uma nova forma de organização social conhecida como período tribal. No início, as tribos se organizavam sob a orientação dos anciãos e depois dos juízes.

Palestina, Judéia ou Israel?

SCHMIDT, Francis. Espacialização. IN: ---. O pensamento do Templo. De Jerusalém a Qumran. Trad. Paulo Meneses. São Paulo: Loyola, 1998. p.18-21.


P. 18. Disparidades regionais e flutuações históricas que exprimem em particular a multiplicidade dos nomes dados a esse território polimorfo, quer seja descrito do exterior por observadores como Heródoto, por geógrafos como Estrabão, por naturalistas como Plínio, o Velho, quer designado do interior por uma administração estrangeira — lágida, selêucida ou romana — ou pelos próprios judeus, o uso corrente, assim como a nomenclatura oficial, apresenta uma diversidade desconcertante.

De todas essas denminações, reterei apenas três, que atestam as legendas de três moedas. A primeira é um grande bronze posto em circulação em Naplusa, em 159-160. Na frente, o busto de Antonino, o Piedoso; no verso, um templo no cimo do monte Garizim, acompanhado da legenda grega Neapoleôs Syrias Palaistinês. A segunda moeda é um sestércio de bronze, datado de 71, com o busto de Vespasiano na frente; no verso, uma palmeira, ladeada pelo imperador à esquerda e por uma mulher judia cativa à direita, está rodeada pela legenda: Judaea capta. A terceira é uma tetradracma da segunda guerra judaica. Na frente, a fachada tetrastilo do Templo de Jerusalém; no verso, o lulav e o etrog, que fazem referência à festa de Sukkot, estão circundados pela legenda, em escrita paleo-hebraica: “Ano 1 da redenção de Israel”. Três moedas, portanto três denominações diferentes: Palestina, Judéia, Israel[1].

P.19. Literalmente, Palaistinê é o nome grego que designa o país dos filisteus. Em um comentário sobre a tábua dos povos de Génesis 10, que enumera as diversas regiões do mundo ocupadas pelos filhos de Noé, Flávio Josefo diz que Filistinos, um dos descendentes de Cam, é o único que se instalou em um país que leva o nome de seu fundador: “Com efeito”, escreve, “os gregos chamam Palestina à parte que lhe coube” (Antiguidades, 1, 136). Já no testemunho de Heródoto (Histórias, VII, 89), Palestina é o nome dado à parte da Síria onde habitam os fenícios, e a toda a costa até o Egito. Igualmente, o geógrafo Pompônio Mela (Chorographia I, 11, 63) e Plinio, o Velho (História natural, V, 69), designam assim a faixa costeira que se estende da Fenícia ao Egito. Mas tomado em uma segunda acepção, igualmente atestado por Heródoto, o termo estende-se a toda a região que está atrás, e então compreende o conjunto da Síria meridional: “Os fenícios e os sírios da Palestina reconhecem, eles próprios, ter aprendido dos egípcios o costume da circuncisão” (Histórias, II, 104, 3)[2]. Aristóteles admira-se com as fábulas que contam sobre um lago da Palestina onde flutuam na superficie todos os corpos de homens ou animais que nele são mergulhados, e que é tão salgado que nenhum peixe pode viver ali (Meteorológicos II, 359 a). A região habitada por “uma parte não desprezível da nação muito populosa ágida, dos judeus”, e muito especialmente pelos essênios, é chamada “Síria Palestina” por Filon de Alexandria (Probus, 75). Mas só depois de 135 o nome oficial da província romana da Judéia será substituído por “Síria Palestina” ou ‘Palestina”. Esse nome, que não é atestado nem nos Setenta nem na literatura apocaliptica judaica nem no Novo Testamento, só raramente é encontrado nos escritos rabínicos.

A região localizada em torno de Jerusalém, onde se estabeleceram os judeus ao voltar do exílio, foi nomeada Yehudah — traduzido por Iudaia nos Setenta —, por referência ao antigo reino de Judá. No fim do período persa, entre 360 e 331, as moedas de prata emitidas pelo governo da província da Judéia trazem a legenda YHD, Yehud na escrita aramaica antiga[3]. Na época selêucida, a Judéia designa o território habitado pelo ethnos tôn Iudaiôn, a nação dos judeus. Após a expansão do território hasmoneu, a palavra Judéia toma também sentido amplo, incluindo além da Judéia propriamente dita outras regiões, em especial a Samaria e a Galiléia. Essa segunda acepção é P.20. testemunhada, por exemplo, por Estrabão: “O país do interior, situado além da costa fenícia, até a fronteira da Arábia, entre Gaza e o Anti-Líbano, chama-se Judéia” (Geografia, XVI, 2,21). O termo designa então o conjunto das regiões habitadas majoritariamente pelos judeus. Na nomenclatura oficial da administração romana, essa acepção ampla será retida para designar a província romana da Judéia. Plínio e Flávio Josefo[4] utilizam a palavra em suas duas acepções. Contudo, na Mishnah, a Judéia, tomada no sentido estrito do termo, constitui com a Transjordânia e a Galiléia um conjunto tripartido mencionado com freqüência[5].

Quando Ezequiel anuncia o retorno dos exilados ao país de seus pais, chama esse país “terra de Israel”. Ali, o povo e seu Deus serão reunidos[6]. Assim, em sua acepção territorial, Israel não se opõe mais a Judá como o reino do norte ao reino do sul. No decorrer de sua história, o nome conserva em geral essa conotação particular — uma terra dada por Deus a seu povo — e se opõe ao país do exílio ou ao das nações estrangeiras. Gravando sobre suas moedas o termo “Israel” e não “Judéia”, os rebelados da primeira e da segunda guerras judaicas fazem mais que declarar a independência de seu território; escolhendo esse termo, afirmam-se como herdeiros da terra ancestral e sagrada. Conforme a regra de que “todo mandamento que é dependente do país só pode se aplicar no país” (Qiddushin, 1,9), quando a Mishnah pergunta sobre os limites no interior dos quais se aplicam as prescrições do Levítico referentes ao ano sabático (Sheviit, 6,1), ou as dos Números sobre o imposto sobre a pasta do pão (Halla, 4,8), a Mishnah estabelece que só se aplicam na ‘Erets Israel. No entanto é preciso compreender que se trata aqui de um território de fronteiras sem relação com nenhuma realidade histórica. Enquanto essa designação é atestada com muita freqüência nos escritos rabínicos, é significativo constatar que o termo “Palestina”, ao contrário, raramente é encontrado.

Esses três nomes atestam que o território habitado pelos judeus, mas constituído de regiões tão díspares como a Judéia propriamente dita, a faixa costeira, a Galiléia e a Peréia, foi percebido como formando um conjunto próprio, distinto não só dos países vizinhos mas também das comunidades judaicas da diáspora. É, portanto, suscetível ser um dos referentes sobre os quais se funda o sentimento de pertença P.21. a uma mesma comunidade. Contudo, esses três nomes remetem a três percepções muito diferentes de uma mesma realidade. “Palestina” é o nome dado pelos estrangeiros à comunidade judaica. Embora consagrado pela tradição historiográfica — que opõe correntemente o judaísmo palestino ao da diáspora —, não dá conta da relação da comunidade judaica com seu território durante o período do segundo Templo. Tratando-se de uma pesquisa sobre a identidade judaica, essa primeira designação está, por assim dizer, fora do jogo. “Judéia” é empregado tanto na linguagem corrente como na nomenclatura oficial, em hebraico e também em aramaico, em grego e em latim. Sem dúvida, o termo é ambíguo, na medida em que é utilizado tanto em sentido restrito como amplo. Ao menos é empregado tanto pelos próprios judeus como pela administração romana. Quanto a “Israel”, trata-se de uma denominação própria dos judeus, não utilizada pelos estrangeiros. Por oposição ao país das nações, Israel designa a terra onde o povo mantém relações privilegiadas com seu Deus. Longe de ser equivalentes, esses dois termos implicam, cada um, uma visão judaica específica do território judaico: mais política e administrativa no caso da Judéia, mais simbólica no caso de Israel.



[1] Sobre o conjunto dos nomes dados à Palestina: Abel 1933, I, pp. 3 10-332. Sobre a oposição entre “Judéia” e “Palestina”: Feldman 1990, pp. 1-23. A moeda de Naplusa: Rosenberger, III, 1977, p. 6. A moeda da Judéia cativa: Rappaport 1984, p. 51, gravura IV, 6. A tetradracma da segunda guerra judaica: Mildenberg 1984, pp. 123-125.
[2i] Segundo Flávio Josefo, Antiguidades, VIII, 262; Contra Ápio, 1, 168 ss., esses sírios da Palestina são exatamente os judeus: ver Stern 1976 (onde se encontrará um comentário magistral de todos os outros textos gregos e romanos aqui citados), I, pp. 2-4. a IV, 6.
[3] Sobre essa cunhagem de moeda da província de Judéia: Mildenberg 1979, pp.183-196.
[4] Plinio, História naturalis, V, 70; Flávio Josefo, Guerra, III, 5 1-55 (a Judéia propriamente dita); III, 143, 409 (a Judéia em sentido amplo).
[5] Assim Mishnali, Cheviit, 9, 2; Ketubbot, 13, 9; Babba Batra, 3, 2.
[6] ‘Erets Israel. Sobre uma análise semântica do vocabulário da “terra” (‘admat Israel e ‘erets Israel) em Ezequiel, ver Keller 1975, pp. 481-490.