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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Juventude brasileira é religiosa

Jornal do Brasil, Vida, Saúde & Ciência, página 24, em 25/07/2008.

Juventude brasileira é religiosa
Pesquisa revela que apenas 4% se consideram ateus

Joana Duarte

O Brasil ficou em terceiro lugar em estudo sobre os países com os jovens mais religiosos do mundo, segundo o instituto alemão Ber­telsmann Stiftung, que percorreu 21 países e entrevistou 21 mil jovens entre 18 e 29 anos para produzir o mais extenso e detalhado levan­tamento comparativo sobre a im­portância da religião nas principais culturas globais.

- Os brasileiros em geral têm uma visão encantada da religião herdada dos negros e índios - res­saltou o teólogo Leonardo Boff. - Temos uma cultura mística e fluida mais do que religiosa por si. Isso confere um certo encantamento com o mundo. No Brasil, tudo acaba em Deus.

A Indonésia e o Marrocos, países de maioria muçulmana, empataram com o Brasil, que só perdeu para a Nigéria, em primeiro lugar, e a Guatemala, em segundo.

De acordo com a pesquisa, 65° o dos jovens brasileiros são "profun­damente religiosos", embora só um terço dos entrevistados vivam de acordo com preceitos dogmáticos ou achem necessário seguir man­damentos de alguma religião.

- Não somos um povo fun­damentalista, dogmático e que faz guerra religiosa- afirma Boff.

Tradição
O teólogo explica que os bra­sileiros herdaram dois tipos de cris­tianismo: o catolicismo devocionista, moderno e muito focado nas festas aos santos e na adoração direcionada às manifestações de Deus, e um catolicismo "romanizado", centra­lizado no papa e repleto de doutrinas e ritos. Segundo Boff, no Brasil, os dois coexistem em harmonia.

Entre os jovens entrevistados no Brasil, apenas 4% afirmam não ter religião, enquanto na escala global, 13% não acreditam em Deus, de acordo com a pesquisa. Boff acredita que a fé está em alta, mas que a tendência é esse nú­mero permanecer baixo.

- Acredito que a descrença deve ser respeitada, pois a fé é uma opção - afirmou o teólogo. - Até porque muitas vezes o ateísmo das pessoas é um ateísmo ético. Não é que vale tudo, pode tudo.

Entre os 21 países pesquisados, o estudo indica que quatro entre cinco jovens são religiosos, en­quanto quase a metade são pro­fundamente religiosos.

Israel é o único onde os jovens são mais religiosos do que os adul­tos, de acordo com a pesquisa.

- Israel é um Estado novo, feito por judeus que não viviam a religião porque tiveram de escondê-la - sugere Boff. - Entretanto, para os jovens, a religião se mistura com a identidade nacional e o Velho Tes­tamento é livro fundador.

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