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Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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quinta-feira, 10 de abril de 2008

Oração da Sexta-Feira Santa: diálogo judaico-cristão precisa de sensibilidade hoje

Para respeitar as crenças do outro, declara o cardeal Walter Kasper

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 10 de abril de 2008 (ZENIT.org).- A nova formulação da oração da Sexta-Feira Santa pelos judeus, redigida para as comunidades que seguem o Missal Romano procedente ao Concílio Vaticano II, é oportuna, pois ofereceu «importantes melhorias ao texto original»; agora, há questões muito sensíveis para o povo judeu e é necessária uma grande sensibilidade, reconhece o cardeal Walter Kasper.

O presidente da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo publicou nesta quinta-feira, no jornal vaticano «L’Osservatore Romano», um artigo, no qual responde com afeto às reações, em muitas ocasiões críticas, de expoentes judeus ante a publicação da oração.

Trata-se de reações, afirma, sobretudo de caráter «emocional». «Pois bem, não se deve descartá-las precipitadamente por considerar que estejam causadas pela hipersensibilidade. Inclusive entre amigos judeus que há décadas estão envolvidos em um intenso diálogo com cristãos, a memória coletiva de catequese e conversas forçadas continua viva».

«Muitos judeus consideram a missão para os judeus como uma ameaça para sua existência; em certas ocasiões, fala-se inclusive de uma Shoah com outros meios. É necessário, portanto, ter uma grande sensibilidade na relação judaico-cristã», afirma.

Segundo o purpurado, «a oração da Sexta-Feira Santa pelos judeus tem uma longa história. A nova fórmula da oração para a forma extraordinária do Rito Romano (missal de 1962) redigido pelo Papa Bento XVI foi oportuna, pois algumas formulações eram consideradas ofensivas por parte judaica e dolorosas por parte de vários católicos».

A nova fórmula, que só as comunidades ligadas à celebração eucarística segundo o Missal de 1962 utilizarão, «fala de Jesus como o Cristo e a salvação de todos os homens, portanto, também dos judeus», declara o cardeal.

«Muitos interpretaram esta afirmação como nova e não amigável em relação aos judeus. Mas se fundamenta no conjunto do Novo Testamento (cf. 1 Timóteo 2, 4) e indica a diferença fundamental, conhecida por todos, que subsiste entre cristãos e judeus.»

«No passado, a fé em Cristo, que diferencia os cristãos dos judeus, transformou-se com freqüência em uma ‘linguagem de desprezo’ (Jules Isaac), com todas as graves conseqüências que disso se derivam. Se hoje nos comprometemos por um respeito recíproco, este só pode fundamentar-se no fato de que reconhecemos reciprocamente nossa diversidade», considera.

«Por este motivo, não esperamos que os judeus concordem no conteúdo cristológico da oração da Sexta-Feira Santa, mas que respeitem que nós rezemos como cristãos, segundo nossa fé, assim como também nós respeitamos sua maneira de rezar. Nesta perspectiva, ambas partes devem aprender», assinala.

«A incompreensão ante a reformulação da oração da Sexta-Feira Santa – segundo o purpurado alemão – é um sinal de quão grande é ainda a tarefa no diálogo judaico-cristão. As reações irritadas que surgiram deveriam, portanto, ser uma ocasião para esclarecer e aprofundar nos fundamentos e nos objetivos do diálogo judaico-cristão.»

«Se desta maneira pudesse encaminhar-se um aprofundamento no diálogo, a tensão surgida traria ao final um resultado positivo. Sempre se deve ser conscientes de que o diálogo entre judeus e cristãos continuará sendo, por sua natureza, difícil e frágil e que exige, em grande medida, sensibilidade por ambas partes», conclui.

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