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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado III - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A arte da narrativa bíblica

A Bíblia como literatura
O Globo - 05/01/2008 - por Moacir Amâncio

Em oito capítulos e uma conclusão, o professor e crítico americano Robert Alter demonstra no livro A arte da narrativa bíblica (Companhia das Letras, 288 pp., R$ 46) como e por que a Escritura pode e deve ser lida a partir da sua condição de obra literária, sem que isso, a rigor, vá contra as intenções do texto sagrado. Ele não é o descobridor dessa possibilidade, mas um de seus continuadores importantes. Tanto que este livro, de 1981, continua inovador passadas quase três décadas - se pensarmos que trata de textos tão antigos, isso não é nada. Ao mesmo tempo em que identifica e comenta os processos de composição da escrita hebraica, Alter analisa vários trechos a fim de provar seu pressuposto, que talvez provoque certo desconforto em quem vê a Bíblia como cânone e nada mais. Em vez de provocar, no entanto, ele faz um convite estimulante, ao qual não falta o toque de sabedoria.

Robert Alter
Leciona literatura hebraica e literatura comparada na Universidade da Califórnia em Berkeley. Publicou vários estudos sobre o romance moderno, além de uma biografia de Stendhal. Com A arte da narrativa bíblica deu início a uma série de livros sobre literatura hebraica antiga e moderna.

Companhia das Letras
À maneira de seu mestre Erich Auerbach, o ponto de partida de Alter, ao analisar a Bíblia, é tão simples quanto ambicioso: longe de servir de adorno a uma obra que seria fundamentalmente teológica, moral e dogmática, os elementos artísticos e narrativos dão forma ao cerne dos livros bíblicos. Afinal, a Bíblia hebraica apresenta-se como uma seqüência de relatos que vão da cosmogonia do Gênese aos tempos históricos dos reinos israelitas. Para o autor, a leitura voltada para a composição literária desse material torna-se a via de acesso privilegiado ao sentido dos relatos bíblicos, em sua trama complexa de ficção, história nacional e teologia.
Dessa perspectiva, Alter examina todas as questões centrais que a narrativa bíblica suscita. Por que esses textos são escritos em prosa, e não em verso? Por que o diálogo é tão onipresente? Quais convenções regem a caracterização dos personagens e das cenas? Os livros bíblicos são obras coesas ou apenas colchas de retalhos contraditórias e compostos a séculos de distância? Sem abstrações ou anacronismos, Alter responde a essas questões por meio de análises surpreendentes de histórias e passagens bíblicas, que assim recobram toda sua vibração e convidam o leitor contemporâneo a revisitar esses textos fundamentais da imaginação ocidental.

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