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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Titular de Literaturas Hebraica e Judaica e Cultura Judaica - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

50 anos da declaração Nostra Aetate


50 anos da declaração Nostra Aetate


Em 1962, o Papa João XXIII inaugurou o Concílio Vaticano II, iniciando um processo que levaria a uma verdadeira revolução nas relações entre a Igreja e a comunidade judaica internacional. Em 1965, o Concílio terminou, e a declaração Nostra Aetate foi publicada. >>> Leia mais em 50 anos da declaração Nostra Aetate

sábado, 18 de outubro de 2014

O diálogo nas Tradições Judaica e Cristã. A Igreja Católica e os Judeus, um diálogo em construção

Resumo: O autor apresenta sua visão sobre quais fatores que levaram a Igreja ao diálogo com os judeus, após uma história marcada pelo domínio católico e a perseguição ao povo judeu. Expõe também algumas contribuições judaicas bíblicas ao tema, tais como a técnica de debate/estudo chamada de pilpul e o conteúdo de extensos debates encontrados no Talmude, que demonstram o lugar central que o diálogo e a indagação filosófica têm no Judaísmo. Acrescenta também aportes contemporâneos judaicos ao pensamento universal, através da filosofia desenvolvida pelo pensador judeu Martin Buber, corroborando o lugar central e ininterrupto do diálogo no Judaísmo desde seu nascimento. Ao longo da apresentação são feitas ligações com a Declaração Nostra Aetate, como posicionamento chave da Igreja no tema do diálogo com os judeus, bem como os “10 Pontos de Seelisberg” e os “12 Pontos de Berlim”, resultado da interação entre cristãos e judeus após o Holocausto.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O escriba Esdras e o Judaísmo - Um estudo sobre Esdras à luz da tradição



SCARDELAI, Donizete. O escriba Esdras e o Judaísmo - Um estudo sobre Esdras à luz da tradição. São Paulo: Paulus, 2012: Este trabalho se desenvolve em quatro capítulos. O primeiro coloca em foco o livro de Esdras-Neemias à luz do judaísmo, no qual serão tecidas algumas considerações sobre a composição da obra Esdras e Neemias na perspectiva da Bíblia judaica. No capítulo 2, o autor trata do contexto histórico do retorno do Exílio. O terceiro buscará construir a plataforma bíblica sobre a qual repousa a prática judaica espelhada no livro de Esdras-Neemias. E, por fim, o capítulo 4, intitulado “A Contribuição de Esdras ao Judaísmo Rabínico”, fará um levantamento detalhado dos principais textos da tradição judaica — o Talmude e o Midrasch Rabba — para demonstrar o lugar que a figura de Esdras ocupa na tradição judaica, que, ao lado de Moisés, se tornou um dos personagens mais influentes e enigmáticos nas tradições orais judaicas. 

Sobre o autor: Donizete Scardelai estudou Bíblia e Judaísmo em Jerusalém (Israel) e desenvolveu pesquisas sobre o messianismo no Centro de Estudos Ratisbonne (Jerusalém). É mestre em Teologia e Judaísmo pela Faculdade de Teologia Saint Michael´s College, da Universidade de Toronto (Canadá), e doutor em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, programa de Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas, da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente leciona Sagrada Escritura, História de Israel e Período do Segunto Templo nas Faculdades de Teologia ITESP, Pio XI e PUC-Campinas. Publicou pela editora Paulus o livro Movimentos Messiânicos no Tempo de Jesus: Jesus e outros Messias (1998).

Veja mais:

domingo, 26 de outubro de 2008

Ética dos Pais - Pirkei Avót

Ele (Hilel) dizia: Mais carne, mais vermes; mais propriedades, mais cuidados; mais mulheres, mais feitiços; mais concubinas, mais impudor; mais empregados, mais roubo. Mais Torá, mais vida; mais estudo, mais sabedoria; mais indagação, mais discernimento; mais justiça, mais paz. Adquirir bom nome é adquirir um bem para si próprio; adquirir conhecimento da Torá é adquirir para si a vida no mundo vindouro.


Extraído de: BUNIM, Irving M. Ética do Sinai: Ensinamentos dos Sábios do Talmud. São Paulo: Sefer, 1998.



terça-feira, 7 de outubro de 2008

Evangelho e Tradição Rabínica

Evangelho e Tradição Rabínica
Autor:
REMAUD, Michel
Edições Loyola
Sobre o Autor:
REMAUD, Michel: Sacerdote da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada, foi professor no Institut Ratisbonne e é diretor do Institut Albert-Decourtray, instituto francês de estudos judaicos em Jerusalém. É autor de Israël, Serviteur de Dieu (Ratisbonne), À cause des Pères (Peeters) e Chrétiens et Juifs entre le passé et l'avenir (Lessius).
Sinopse: As "Escrituras" citadas pelo Novo Testamento já eram lidas e interpretadas: no Targum e no Midrash, a antiga tradição rabínica representa um elo indispensável na dinâmica hermenêutica que vai do Antigo ao Novo Testamento. Mediante textos, o autor faz essa demonstração.
Temas evangélicos, argumentos paulinos, afirmações da carta aos Hebreus podem ser compreendidos de uma nova maneira quando lidos à luz das tradições primeiras do judaísmo. A novidade do Cristo aparece assim sob nova luz - refletida pela vigilância interpretativa do povo judeu.

domingo, 21 de setembro de 2008

Exegese Bíblica na Tradição Judaica

Exegese Bíblica na Tradição Judaica

Profa Dra Cláudia Andréa Prata Ferreira
FL/UFRJ e PPGHC-IFCS/UFRJ
Versão em 21/09/2008


Texto Hebraico Bíblico
Na Tradição Judaica:
a Bíblia Hebraica (Antigo Testamento/Primeiro Testamento) é conhecida pelo termo Tanach, composto pela Torá (Pentateuco), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos).

O conjunto do Tanach tornou-se a parte central da Tradição Escrita, Torá Shebik’tav.

► A leitura da Torá (Pentateuco) é realizada normalmente nas segundas, quintas e sábados. Este costume é uma forma de liturgia que data desde os tempos do retorno dos judeus do exílio babilônico no século VI a.E.C. A leitura também é parte do sistema integrado na liturgia de oração e estudo.

► A Torá é dividida em cinqüenta e quatro partes chamadas de Parashá ("sessão"), no plural Parashiot. Deste modo, a cada semana é lida uma Parashá e ao final de um ano, a leitura é concluída e reiniciada ano a após ano sucessivamente. A leitura da Parashá se inicia sábado à tarde, tem sua continuação às segundas e quintas e continuação, seguida de conclusão, sábado de manhã.

► O sentido literal de Haftará é "conclusão" e refere-se à leitura de trechos selecionados dos livros dos Profetas. Encontramos duas explicações para a leitura da Haftará: primeiramente, a leitura se deve à intenção de preservar este material na memória do povo. A outra explicação associa o uso da leitura da Haftará com o período de proibição do estudo da Torá por Antíoco IV, no século II a.E.C. Neste contexto, a Haftará seria uma substituta à leitura em que os trechos escolhidos teriam um conteúdo correspondente ao da leitura prescrita (Torá). Com o fim da proibição, manteve-se o costume da leitura da Haftará. A Haftará é relacionada ao tema da leitura da Torá, permitindo uma compreensão mais profunda da leitura desta e dos dias festivos.

Orientação Oral – 1
A Orientação Oral era em grande escala derivada do Tanach (Bíblia Hebraica) e qualquer preceito particular podia, em princípio, ser ensinado através de qualquer um dos métodos: como interpretação do texto-documento (Tanach) ou como uma tradição independente.

Orientação Oral – 2
A interpretação das Escrituras tornou-se conhecida como Midrash “interpretação”, termo derivado de um verbo hebraico que significa “buscar, investigar, procurar saber”.

Midrashim
Os Midrashim tiveram sua origem nas palestras e homilias populares realizadas na sinagoga, no Beit HaMidrash ou na Academia Talmúdica.

Literatura Rabínica - 1
A literatura rabínica pode ser classificada basicamente de:
1) de acordo com o gênero:
método Midrash e método Mishná
2) de acordo com o objeto do texto: Halachá ou Hagadá

Literatura Rabínica – 2
A literatura rabínica pode ser classificada segundo a origem cronológica:

► período dos tanaim (70-200 E.C.) e seus predecessores
Local:
Terra de Israel
Idioma: hebraico
e o
► período dos amoraim (200-500 E.C.)
Local:
pode ser da Terra de Israel ou Babilônia
Idioma: aramaico.


Ilustração: Modelo de uma página talmúdica.

Bíblia que gera a Bíblia - 1
A atividade rabínica de interpretar o texto bíblico e criar uma hermenêutica elaborada tem como fonte de inspiração a própria fonte bíblica.

O sentido de Midrash como um processo de “interpretação e exposição” já estaria presente na própria Bíblia (Hebraica) numa espécie de processo de Bíblia que gera Bíblia (TREBOLLE BARRERA, 1995:513-520).

Bíblia que gera a Bíblia – 2
A Bíblia é ela própria um texto interpretado: os profetas interpretam a Torá (Pentateuco) + fonte de toda uma tradição de interpretação (a fonte talmúdica).

De acordo com essa perspectiva, a Bíblia é o substrato de um longo processo exegético no qual os livros do corpus bíblico interpretam-se uns aos outros e que a Bíblia é a primeira intérprete de si mesma.

Bíblia que gera a Bíblia – 3
Destacamos o papel dos profetas na atualização e interpretação das tradições de Israel.

Podemos observar como o profeta Jeremias usa a legislação do divórcio para contrastar a relação entre Deus e o povo (Ver Jeremias 3,1 releitura de Deuteronômio 24,1-4).

Bíblia que gera a Bíblia – 4
Em outros casos, encontramos narrativas inteiras que reelaboram e adaptam narrativas anteriores.

Em Ezequiel 16, podemos encontrar a reutilização midráshica de antigos materiais da história de Israel (v. Ezequiel 16,17-19 releitura de Êxodo 32,2-4).

Bíblia que gera a Bíblia – 5
Em outros casos, encontramos narrativas inteiras que reelaboram e adaptam narrativas anteriores.

O livro de Crônicas é uma reescrita dos livros de Samuel e dos Reis, com pontos de vista diferentes.

Hermenêutica Rabínica – 1
A hermenêutica rabínica que fundamentalmente é o comentário da Bíblia e posteriormente, o comentário do comentário, dessa forma, dá continuidade a esse processo interpretativo que já estaria presente na Bíblia.

Hermenêutica Rabínica – 2
A interpretação na tradição judaica é caracteristicamente um intenso processo de procura do sentido da palavra divina e uma forma de perpetuar a memória dessa relação entre Deus e Israel através dos tempos.

A sinagoga como Biblioteca Pública
Na Idade Média, a sinagoga além de local de oração, desempenhava as funções de centro social e, entre outras coisas, de biblioteca pública. A leitura é um dever religioso de estudo individual ou em grupo.

Na virada do século XI - Rabino Guershom

“os livros não são feitos para serem armazenados, mas sim emprestados. (...) com esta condição concedi-te o empréstimo sobre penhor daqueles livros - com a condição de poder estudar e ensinar com eles e também empresta-los a outras pessoas”.

No século XIII - Rabino Meir de Rottenburg
“é comum um homem emprestar os próprios livros aos estudiosos”.

A leitura como ritual religioso
A institucionalização da leitura pública da Torá assumiu a função de preservação, transmissão e interpretação das fontes judaicas.

Tradução

A Tradução enquanto permanecia como ato de interpretação e explicação, continuou a ser incentivada pelos rabinos, pois era considerada um dos modos de comunicar e transmitir a palavra divina, embora as versões traduzidas fossem consideradas de importância secundária em relação ao original (hebraico). Uma maneira de interpretar as Escrituras consiste em sua tradução para outra língua, mais familiar ao ouvinte ou leitor. Nas antigas sinagogas de Israel, para evitar o perigo de deturpações e equívocos de tradução, tornou-se comum empregar um intérprete competente, conhecido como meturgeman, que traduzia oralmente as leituras das Escrituras, um (no caso da Torá), ou três (no caso dos Neviim) versos de cada vez, para o aramaico vernacular.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tradição e transmissão: a questão da interpretação na tradição judaica (Cláudia Andréa Prata Ferreira)

FERREIRA, Cláudia Andréa Prata. “Tradição e transmissão: a questão da interpretação na tradição judaica”. Porto Alegre, RS: Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRGS), 20/10/2006.
Como entendemos a relação entre tradição e memória? Entendemos a Tradição como uma forma de memória coletiva transmitida de uma geração para outra (em hebraico ledor vador "de geração a geração"). A Tradição é a memória da experiência vivencial de cada geração com o que lhe foi transmitido em confronto com as especificidades de seu tempo e lugar.
Em hebraico, a palavra para Tradição é massoret, que significa, literalmente, transmissão. O vocábulo latino traditio significa "ato de transmitir", "transmissão de conhecimentos".>>> Leia mais, clique aqui.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pão trançado judaico é cercado de rituais e simbolismos; veja receita

VIVIAN RETZ
Editora de Multimídia da Folha Online, em 20/06/2008.

O modo de trançar é o segredo da challah. O pão judaico, que se pronuncia "ralá", é consumido durante cerimônia realizada no dia do descanso semanal sagrado, às sextas-feiras, após o pôr-do-sol. Veja vídeo com modo de preparo.

A culinária judaica é assim, sempre acompanhada de rituais. Não se deve, por exemplo, misturar leite e carne. Essa tradição é baseada na lei de Moisés que diz: "não comer o bezerro no leite da mãe".

Também só podem ser consumidos animais de quatro patas e que tenham casco fendido. Acredita-se que o casco que o separa da terra demonstra que sua ligação com o chão onde pisa não é demasiada. Assim, gados e carneiros estão liberados para os judeus.

A chef Simone Chevis ensina a receita do pão tradicional, de preparo rápido e fácil. No entanto, a forma de trançá-lo exige um pouco de prática.

O leite não faz parte dos ingredientes, pois isso impediria o consumo com carnes, servidas nas cerimônias do Shabat. "A challah é um pão simbólico do povo judeu que consumimos na sexta-feira, à noite, durante o Shabat. É uma cerimônia religiosa que marca o final da semana e o início do dia do descanso. Na Bíblia, conta-se que Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo ele descansou", explica a chef.

O ritual começa com as velas, que devem ser acesas pelas mulheres. No jantar, o pão deve ser cortado com as mãos e distribuído entre os presentes.

Challah
Rendimento: 2 pães

Ingredientes
- 1 pacote de fermento seco biológico ou 1 colher (sopa)
- 1/2 xícara (chá) de açúcar
- 5 ovos
- 1/2 xíc. (chá) de óleo
- 1/2 xíc. (chá) de uvas-passas
- 7 a 9 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 e 3/4 xíc. (chá) de água morna
- 1 pitada de sal
- Gergelim para polvilhar

Modo de preparo
Em um refratário, coloque a água morna, o fermento e o açúcar. Misture com a mão ou com uma espátula. Junte uma pitada de sal, quatro ovos (em temperatura ambiente) e o óleo. Adicione a farinha aos poucos. Coloque as uvas-passas quando a mistura estiver quase a ponto de soltar das mãos. Deixe a massa crescer por cerca de uma hora em um recipiente untado com óleo. Divida a massa em seis pedaços, molde-os e depois basta trançá-los (veja como fazer). Leve ao forno (180ºC) por 30 minutos.